Ember alerta que a rede elétrica europeia está desatualizada para acompanhar o boom de renováveis, colocando em risco mais de 120 GW de geração limpa prevista. O aviso vem de um estudo do think tank energético.
Segundo a análise, metade dos operadores de rede aponta capacidade insuficiente para conectar novos projetos de wind e solar, incluindo sistemas residenciais de energia solar. A situação é descrita como risco de segurança energética.
A pesquisa evidencia que, entre 17 países que divulgam dados, os bloqueios se concentram em Áustria, Bulgária, Letônia, Países Baixos, Polônia, Portugal, Romênia e Eslováquia. Dados de Alemanha e Itália não são totalmente públicos, o que sugere um problema maior.
Em alguns países, mais de dois terços dos projetos de vento e solar previstos para 2030 correm risco de não se viabilizar devido à capacidade da rede. A limitação também pode atrasar cerca de 16 GW de instalações de energia solar em telhado, impactando mais de 1,5 milhão de domicílios.
A análise lembra que o grid europeu foi desenhado para carvão e, posteriormente, gás, e a expansão de renováveis tende a ocorrer em regiões remotas. Assim, faltam soluções eficientes de transmissão até casas e empresas.
O estudo aponta que, apesar de o investimento em redes ter aumentado para cerca de 70 bilhões de euros por ano nos últimos cinco anos, ainda é insuficiente para remover gargalos. Custos de gestão de congestionamento bateram quase 9 bilhões de euros em 2024.
A repercussão prática envolve famílias e consumidores: a indisponibilidade de rede pode levar ao desligamento de parques eólicos e a dependência maior de combustíveis fósseis, elevando preços e volatilidade no curto prazo.
Países mais impactados
Austira, Bulgária, Letônia, Países Baixos, Polônia, Portugal, Romênia e Eslováquia enfrentam as maiores restrições de conexão de novas renewable. Dados de outros grandes sistemas, como Alemanha e Itália, ainda não estão completos, o que pode ampliar a avaliação.
O que vem pela frente
Especialistas chamam a atenção para a urgência de investir na infraestrutura, já que a substituição de combustíveis importados por renováveis depende de redes estáveis. O relatório destaca que a barreira não é apenas técnica, mas de segurança energética.
Preparando o terreno para o futuro
Com a queda de custos de energia, a demanda por soluções como aquecimento elétrico e fotovoltaico residencial aumenta a pressão sobre a rede. Países avaliam modelos de tarifa e incentivos para reduzir o impacto de eventuais gargalos.
Entre na conversa da comunidade