Europeia e África moldam parceria de interesses em meio a competição global
Europa acelera a transição de modelos de auxílio para parcerias movidas por interesses com a África, diante de competição de EUA, China e Rússia e de tensões energéticas no Oriente Médio. A mudança, segundo autoridades, busca manter relevância e ampliar ganhos estratégicos para ambos os lados.
Líderes africanos veem oportunidades de ganho mútuo com o redesenho. Ex-presidente de Malawi, Lazarus Chakwera, afirma que parcerias devem evoluir conforme as necessidades, promovendo uma “situação ganha-ganha” para a região e o continente.
Chakwera destaca que existem vários níveis de cooperação, incluindo maior integração econômica entre países africanos e acordos com nações externas. Ele apela para facilitar a implementação de acordos de livre comércio continental.
Gas, energia e novos aliados
Em Bruxelas, políticas europeias passam a considerar a África como parceira com ganhos decisivos para a segurança energética europeia, especialmente diante de interrupções no fornecimento por vias alternativas.
Younous Omarjee, eurodeputado francês, defende revisar políticas de ajuda ao desenvolvimento para reconhecer interesses europeus no continente. Segundo ele, prosperidade africana é intrinsecamente ligada ao progresso europeu.
A proximidade geográfica e rotas marítimas relativamente estáveis elevam a importância de África no mercado mundial de energia, após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Com isso, a África ganha peso estratégico.
Itália anuncia maior cooperação energética
Nesta semana, a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni informou ampliar a cooperação energética com a Argélia para aumentar o fornecimento de gás à Itália, já que o país depende de mais de 30% do gás argelino.
Nigeria segue sendo fornecedora relevante à Europa, com parte significativa das importações de GNL de Portugal.
Analistas apontam que o aprofundamento dos vínculos energéticos entre Europa e África pode alterar fluxos de investimento e perspectivas econômicas no continente, embora infraestrutura e segurança permaneçam desafios.
Avanços diplomáticos na África Ocidental
Em março, a chefe de política externa da UE, Kaja Kallas, visitou Nigéria e Gana, fortalecendo parcerias estratégicas. Na Nigéria, foi anunciado um acordo de readmissão migratória e um pacote de apoio de 288 milhões de euros.
Em Gana, foi assinado o primeiro Acordo de Parceria de Segurança e Defesa entre UE e país africano, focado em contra-terrorismo e segurança marítima no Golfo da Guiné.
Kallas afirmou que a cooperação visa áreas essenciais para a segurança de cidadãos europeus e africanos, destacando a natureza histórica dos vínculos.
Contexto político e econômico
As visitas ocorrem em meio a uma queda de influência europeia na região após uma sequência de golpes entre 2020 e 2026, que afastaram forças militares lideradas pela França do Sahel e reduziram a presença europeia tradicional.
Dados oficiais apontam que, em 2024, o comércio entre UE e África atingiu 355 bilhões de euros, com a UE mantendo-se como maior parceira comercial da África, seguida pela China. A parceria inclui acordos econômicos com diversos países africanos.
Especialistas ressaltam que o foco agora deve considerar a “ancragem local” – adaptação de produtos, serviços e intercâmbio intercultural para estruturar investimentos com bases sólidas em cada país.
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