Priscila Caneparo, especialista em Direito Internacional, afirma que a retirada dos Estados Unidos da OTAN mudaria o equilíbrio de poder na Europa, elevando a Rússia como principal ameaça aos países do continente. A leitura faz parte de uma análise apresentada à CNN 360° sobre declarações recentes de Donald Trump.
Segundo a especialista, a possível saída norte-americana colocaria em risco a defesa coletiva que hoje sustenta a segurança europeia. Sem o amparo da aliança, Putin poderia explorar cenários além da Ucrânia, aumentando a instabilidade regional.
O cenário geopolítico entre EUA e Europa seria redesenhado. Caneparo aponta que o apoio mútuo tradicional sofreu mudanças, com críticas de Trump à própria função da OTAN e à segurança na região, o que afetaria a confiança entre as nações.
Como consequência, a Europa já começou a reorganizar suas defesas. A especialista cita a Alemanha, que passou a investir mais em capacidades militares nos últimos meses, buscando reduzir vulnerabilidades diante de recentes sinais de retração dos EUA.
A analista ressalta ainda a dificuldade de prever uma resposta coordenada caso a OTAN perca força. A União Europeia, segundo ela, ainda não consolidou um mecanismo de defesa coletiva que substitua o artigo 5 da aliança.
Ameaças e respostas na prática
A avaliação de Caneparo aponta que a Rússia continua a ser vista como principal desafio de segurança na região, principalmente diante da possibilidade de avanços em territórios além da Ucrânia.
A simplificação do equilíbrio de poder poderia alterar também a postura de países europeus diante de potenciais agressões. A pesquisadora enfatiza que a Europa precisa fortalecer estruturas de cooperação e redundâncias estratégicas.
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