O Ministério das Relações Exteriores da Hungria teve novos relatos de diálogo com a Rússia, segundo transcrições e áudios vazados. O assunto envolve uma conversa entre o ministro Péter Szijjártó e o chanceler russo Sergey Lavrov, em meio a debates sobre as candidaturas da Ucrânia e a agenda de uma cúpula da UE ocorrida em Bruxelas.
Entre os trechos divulgados, destaca-se que Szijjártó saiu da reunião para contatar Lavrov e repassar o andamento das negociações entre os líderes da UE. Também há menção de uma afirmação atribuída a Lavrov, associada a táticas de pressão por vias diretas. As gravações foram divulgadas por veículos investigativos húngaros.
As transcrições são de um registro feito durante a cúpula de 14 de dezembro de 2023, quando se discutia a abertura de negociações de adesão da Ucrânia. Poucos dias antes das eleições gerais, com o debate político dominando o cenário, o governo de Viktor Orbán enfrentava forte oposição.
Outra gravação, datada de 2 de julho de 2024, capturaria Szijjártó ligando Lavrov para articular um encontro entre Orbán e o presidente russo Vladimir Putin em Moscou. O contexto aponta para a busca de apoio externo durante a presidência rotativa húngara do Conselho da UE.
Em meio às conversas, Szijjártó ressaltou a importância de Orbán como líder da UE durante o possível encontro. Segundo o registro, a ideia era destacar o peso político do premiê em funções dentro da União.
Os vazamentos também incluem a oferta de compartilhar um documento da UE sobre as negociações de adesão da Ucrânia, com a proposta de envio direto ao Lavrov. O ministro indicou que enviaria o texto pela embaixada em Moscou, para que o assessor do chanceler russo pudesse ter acesso.
Szijjártó reagiu publicamente aos vazamentos, chamando as divulgações de interferência deliberada de serviços de inteligência. Ele afirmou que as informações mostram uma atuação em favor da paz e de interesses húngaros, além de críticas a medidas de Bruxelas.
A oposição reagiu, com Péter Magyar caracterizando as ações como traição aos interesses da Hungria e da União Europeia. A Comissão Europeia também manifestou preocupação, pedindo esclarecimentos sobre as alegações.
As revelações ocorrem em meio a um cenário eleitoral sensível na Hungria, com o apoio a partidos de oposição ganhando força nas pesquisas. O tema das relações com a Rússia continua no centro das campanhas e da cobertura midiática internacional.
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