O Ministério da Defesa da Rússia estaria instruindo instituições de ensino a promover campanhas de recrutamento para as Forças Armadas, com foco em unidades de drones. Informações indicam que universidades adotaram estratégias de divulgação e incentivos financeiros para atrair estudantes, sob a premissa de contratos de serviço por tempo determinado. A campanha aparece em meio a tensões crescentes na guerra com a Ucrânia.
Relatos de estudantes, coletados pela CNN Internacional, apontam coerção, pressão de docentes e cartazes em campi sobre as forças de drones. Especialistas ouvidos mencionam que os incentivos financeiros são elevados e que muitos universitários não acreditam nas promessas, sugerindo contratos militares de prazo indeterminado.
Documentos e relatos indicam que as instruções teriam chegado já em janeiro, pouco tempo após a criação de um novo braço militar voltado a sistemas não tripulados. Diversas universidades passaram a veicular vídeos, palestras com militares e mensagens de recrutamento em redes sociais.
Instruções, incentivos e adesões
Documentos obtidos por advogados especializados indicam que o Ministério da Defesa requisitou que as instituições organizem campanhas em parceria com representantes do governo, com relatórios diários sobre candidatos recrutados. Ofertas incluem bônus de assinatura de milhares de rublos e salários base altos ao ingressar.
A Universidade Estadual de São Petersburgo, entre outras, divulgou contratos com promessas de pagamento único significativas e remuneração anual elevada aos que aderirem às forças armadas. Profissionais consultados descrevem o arranjo como um contrato militar sem garantias de término, aberto a extensão.
Especialistas destacam que a mobilização formal de 2022 permanece vigente, ainda que o Kremlin tenha suspendido aquela mobilização inicial. A leitura comum entre advogados é de que a assinatura de contratos pode tornar o recrutado parte permanente do aparato militar, mesmo após o fim do período escolar.
Repercussões e contexto
A ofensiva de recrutamento público em universidades coincide com pressões sobre o sistema educacional e com dificuldades de substituição de perdas no fronte. Autoridades ocidentais estimam que as perdas russas, somadas a restrições de recrutamento, pressionam Moscou a ampliar táticas.
Putin já havia autorizado ações relacionadas a membros da reserva, o que analistas veem como possibilidade de mobilizações adicionais. O Kremlin reconheceu publicamente a campanha de recrutamento para as Forças de Sistemas Não Tripulados, descrevendo-a como uma oferta para um novo ramo das Forças Armadas.
Estudantes entrevistados descrevem abordagens que apelam a vocação tecnológica e à promessa de evitar o front, mas muitos relatam receio de assinar contratos que poderiam reduzir a liberdade de escolha e ampliar vínculos com o aparato militar.
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