A cidade dinamarquesa de Copenhague pode se tornar a 38ª capital europeia a tomar medidas contra o uso de celulares nas escolas. O governo dinamarquês anunciou nesta quinta-feira (10) que quer vetar a presença dos aparelhos em escolas e centros de ensino médio, de acordo com a primeira-ministra Mette Frederiksen.
“Este governo propõe uma proibição total dos celulares”, declarou Frederiksen durante uma coletiva de imprensa.
A proibição será aplicada tanto nas salas de aula quanto nos pátios de recreio e vai abranger os alunos do primeiro ano do ensino fundamental até o final do ensino médio.
“Os resultados em leitura, matemática e ciências são os piores já registrados”, reagiu o ministro da Educação, Magnus Heunicke, após a divulgação dos resultados, na terça-feira.
“Estou convencida de que os resultados estão estreitamente relacionados ao fato de que, na Dinamarca, temos uma das infâncias mais conectadas”, afirmou, por sua vez, a chefe de governo. “Nós, adultos, permitimos que as crianças e os jovens passem horas demais por dia em frente a uma tela”, lamentou Frederiksen.
Distração digital está associada a menor desempenho de alunos
O anúncio surge logo depois da divulgação do último relatório internacional PISA, no qual os resultados dos jovens dinamarqueses despencaram. Com uma pontuação de 478, a Dinamarca se situa logo abaixo da média europeia, de 482 pontos.
A avaliação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também informou que a leitura entre adolescentes atingiu o pior nível deste século. A média de leitura caiu para 466 pontos, distante do recorde de 501 registrado em 2012 e equivalente ao nível anteriormente esperado de alunos um ano mais novos.
O relatório da organização afirmou que a distração digital está associada a notas mais baixas em ciências em 59 dos 82 sistemas educacionais estudados. Além disso, mais de um em cada quatro alunos afirma que os dispositivos distraem os colegas nas aulas de ciências.
A OCDE informou que os alunos relataram passar, em média, 3,4 horas por dia útil em dispositivos digitais para lazer nos países membros da organização, além de outras 3 horas por dia útil, na sala de aula e em casa, para fins de aprendizagem.
O estudo também constatou que quase metade dos alunos usa chatbots de inteligência artificial regularmente para aprender, mas aqueles que os utilizam para redigir redações, resumir textos e pesquisar temas geralmente obtêm notas cerca de 20 pontos mais baixas em ciências, o equivalente a um ano de aprendizado.
37 capitais europeias já tomaram medidas contra os aparelhos
A Dinamarca segue a linha de outros países europeus que vêm tomando medidas contra o uso de telas dentro das escolas. Até o momento, ao menos 37 capitais europeias já tomaram algum tipo de medida contra celulares, sendo elas:
Viena (Áustria), Bruxelas (Bélgica), Sófia (Bulgária), Zagreb (Croácia), Nicósia (Chipre), Copenhague (Dinamarca), Madri (Espanha), Helsinque (Finlândia), Paris (França), Atenas (Grécia), Budapeste (Hungria), Dublin (Irlanda), Roma (Itália), Riga (Letônia), Luxemburgo (Luxemburgo), Valletta (Malta), Amsterdã (Países Baixos), Varsóvia (Polônia), Lisboa (Portugal), Bucareste (Romênia), Bratislava (Eslováquia), Liubliana (Eslovênia), Estocolmo (Suécia), Tirana (Albânia), Minsk (Belarus), Reykjavik (Islândia), Chisinau (Moldávia), Mônaco (Mônaco), Podgorica (Montenegro), Moscou (Rússia), Ancara (Turquia), Tbilisi (Geórgia), Baku (Azerbaijão), Pristina (Kosovo), Londres (Reino Unido), Oslo (Noruega), Yerevan (Armênia).
A Suécia adotou uma revisão mais ampla dos recursos usados para ensinar. Desde julho de 2025, o currículo da pré-escola deixou de exigir o uso de ferramentas digitais. Para crianças menores de dois anos, a orientação é utilizar apenas materiais analógicos, como livros; nas demais idades da pré-escola, o uso de recursos digitais deve ser bastante restrito.
O governo também determinou que as provas nacionais do terceiro ano permaneçam em formato analógico, ampliou o financiamento de livros didáticos e reforçou o acesso a bibliotecas escolares.
Já Madri ampliou as restrições no ano letivo de 2025–2026, com alunos da educação infantil e primária de centros financiados com recursos públicos passando a ter limitações ao uso individual de dispositivos digitais. A regra também alcança tarefas avaliativas para casa que dependam desses aparelhos.
O modelo anunciado prevê uso compartilhado e supervisionado, com limites semanais conforme a idade: nenhuma tela entre zero e três anos; até uma hora na etapa seguinte e nos dois primeiros anos da primária; 90 minutos no terceiro e quarto anos; e duas horas no quinto e sexto.
A capital da Noruega, Oslo, anunciou uma medida diferente nesta quinta-feira, proibindo o uso de óculos inteligentes nas escolas. Segundo a prefeitura, a medida busca impedir que as crianças se tornem “figurantes na coleta de dados da Meta”. A proibição vale durante todo o período escolar e em todos os níveis de ensino.
“Nós, políticos, precisamos ter a coragem de ser honestos sobre o que realmente está em jogo: uma das empresas mais ricas do mundo lançou um produto cuja proposta de negócio é tornar impossível saber quando você está sendo filmado”, afirmou Julie Remen Midtgarden, vice-prefeita responsável pela Educação em Oslo. “Nos recusamos a deixar que nossas crianças se tornem figurantes na coleta de dados da Meta”, declarou.
(Com informações da AFP)
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