Um empreendedor ucraniano transformou um dispositivo originalmente destinado a entreter animais de estimação em tecnologia de uso militar. O Petcube, criado por Yaroslav Azhnyuk e sua equipe, ganhou função de monitoramento remoto com reconhecimento de imagem e laser, hoje aplicado em drones com visão em primeira pessoa (FPV).
A empresa envolvida no uso bélico é formada por duas companhias, Odd Systems e The Fourth Law, que desenvolveram um sistema de IA para identificar alvos como veículos militares, peças de artilharia ou soldados inimigos. O projeto integra o drone a um piloto automático que opera com mira baseada na técnica YOLO.
O dispositivo funciona ao detectar um alvo, acionando o sistema autônomo que percorre cerca de 400 metros. O objetivo é ampliar a precisão do ataque, reduzindo a depender de intervenção humana em operações de combate. A Odd Systems também produz um interceptor para drones Shahed, de origem iraniana.
Como funciona o drone com IA
O software de reconhecimento de imagem é conectado a um sistema de navegação autônoma usado em ações de ataque. Operadores que controlam os drones da empresa escolhem alvos, após o que o voo segue quase inteiramente de forma autônoma, com menor vulnerabilidade a interferências.
A Odd Systems desenvolve ainda um interceptor, chamado Zerov, que identifica Shaheds, aproxima-se e executa uma explosão controlada. Drones explosivos de fabricação iraniana têm sido usados contra a Ucrânia, enquanto bases aliadas e alvos no Oriente Médio também foram citados nos últimos meses.
Contexto e empresas envolvidas
Os drones FPV com IA já são usados na linha de frente ucraniana, com versões que podem voar autonomamente ao longo de rotas pré-programadas. A empresa afirma que quase 90% dos drones não atingem o alvo sem tecnologia de mira, o que motiva o desenvolvimento de sistemas automáticos.
Yaroslav Azhnyuk, que também lançou a Petcube, integra as startups Odd Systems e Fourth Law para ampliar capacidades de defesa. Em 2023, ele fundou as duas empresas para enfrentar desafios tecnológicos na guerra, após renunciar ao cargo de CEO da Petcube.
Questões éticas e perspectivas de mercado
O portfólio de startups de defesa na Ucrânia cresce, com investidores traçando oportunidades futuras de exportação. Tecnologias que parecem bem-humoradas em seu início migram para aplicações militares de alto impacto, conforme o cenário de conflito se intensifica.
Antes da guerra, a Ucrânia era reconhecida por grandes empresas de tecnologia, como Grammarly e Ring. A indústria de TI representava uma parte relevante das exportações, atrás apenas do aço e dos produtos agrícolas, até a invasão de 2022. O caso de Azhnyuk ilustra a evolução para um polo de contratos militares.
A empresa afirma que o uso de IA busca reduzir a participação humana e aumentar a precisão, destacando que drones operam dentro de zonas georreferenciadas para evitar civilização e retomar o inventor do lançamento. Aguardam-se desdobramentos sobre exportação e aplicações em outros mercados.
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