Beirute recebeu mais uma lição em minutos: a ofensiva israelense sobre o Líbano atingou mais de cem alvos em cerca de dez minutos. A defesa civil libanesa informou pelo menos 254 mortos e mais de 1.100 feridos. Israel afirma ter alvejado centros de comando do Hezbollah.
O episódio ocorre em meio a uma frente já aberta entre Israel e o Hezbollah desde 2020, período marcado por tensões e ciclos de retaliação. Enquanto a comunidade internacional observa, os danos aos bairros densamente povoados, a sobrecarga de hospitais e a devastação se tornam notícia constante.
Paralelamente, o cenário político em Israel ganhou contornos próprios. O primeiro-ministro está sob processo por suborno, fraude e quebra de confiança, com audiências suspensas durante emergências de guerra e retomadas quando o estado de exceção é reduzido.
Contexto regional e perguntas em aberto
No dia 1º de abril, o gabinete israelense autorizou 34 novos assentamentos na Cisjordânia, em uma expansão vista por observadores como uma das maiores dos últimos anos. A medida se alinha a uma retórica de autodefesa que, para críticos, sustenta políticas que prolongam o conflito.
Do lado libanês, o país enfrenta uma crise interna profunda que limita o monopólio da força em seu território. Pesquisas indicam que 79% dos libaneses defendem que apenas o Exército tenha armas. A presença israelense no sul do Líbano complica a discussão sobre desarmamento do Hezbollah.
O Hezbollah, criado em 1982 durante a ocupação israelense, mantém apoio entre setores da população libanesa e permanece ligado ao Irã. A narrativa do conflito, segundo analistas, envolve resistência contra ataques aéreos e uma estratégia que transforma danos civis em mensagens políticas.
A leitura comum é de que guerras alimentam ganhos políticos de ambos os lados, enquanto civis pagam o preço. O uso do direito internacional permanece controverso, com resoluções vistas como aplicáveis apenas quando convenientemente seletivas pelos governos.
Entre na conversa da comunidade