Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin e ex-deputado, foi detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) em Orlando, Flórida, na última segunda-feira. A prisão ocorreu durante a permanência dele nos EUA, onde vive com a família desde o ano passado. Dois dias depois, Ramagem foi liberado pelas autoridades americanas.
A detenção ocorreu após a Polícia Federal brasileira afirmar ter havido cooperação internacional com autoridades dos EUA para localizar e prender o foragido. A PF informou que a cooperação envolveu interlocutores dos EUA com o objetivo de capturar Ramagem, que possui pedido ativo de extradição.
Apuração interna nos EUA
Segundo fontes ouvidas pela BBC News Brasil, autoridades americanas buscam esclarecer como ocorreu a cooperação entre a PF e as autoridades dos EUA, e se o alto escalão do ICE, do Departamento de Segurança Interna e do Departamento de Estado tinha conhecimento do acordo.
A apuração também examina se a estratégia tentou driblar o Departamento de Estado, ligado ao senador Marco Rubio, e se houve envolvimento de níveis inferiores do governo Trump.
Ramagem foi condenado em setembro de 2025 pelo STF a 16 anos de prisão em ação penal que também envolveu o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele foi cassado do mandato de deputado em dezembro seguinte.
Contexto e desdobramentos
Ramagem vive nos EUA desde o fim de 2024 e é considerado foragido pela Justiça brasileira. A Polícia Federal afirmou que a detenção decorreu de cooperação policial internacional, sem detalhar motivos da soltura.
A depender de novas informações, autoridades brasileiras e americanas podem revisar critérios de cooperação e de extradição. A extradição depende de aprovação do Departamento de Estado dos EUA.
A defesa de Ramagem não comentou o assunto até o momento da publicação. A PF mantém o foco na correta apuração da cooperação entre as instituições envolvidas.
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