Peter Sichel, diplomata e ex-chefe da CIA em Berlim, ganha nova leitura na cinebiografia The Last Spy. O documentário mostra o legado do agente, que também ficou famoso por transformar o vinho alemão Blue Nun em sucesso mundial. O filme chega aos cinemas do Reino Unido em 24 de abril.
Nascido em 1922 em Mainz, Sichel fugiu do regime nazista com a família e emigrou para os EUA. No OSS, precursor da CIA, destacou-se como interrogador de prisioneiros de guerra e, aos 23 anos, passou a comandar operações na Berlim ocupada. Seu perfil técnico contrastava com a prática agressiva de algumas ações da época.
Ato final de uma carreira marcada por críticas ao intervencionismo
O documentário revela que, em 1953, ele esteve envolvido na derrubada de Mohammad Mossadegh, primeiro-ministro do Irã, processando o entendimento de que a nacionalização do petróleo ameaçava interesses ocidentais. Sichel defende que tal movimento manteve o shah no poder e ajudou a moldar o cenário político iraniano subsequente.
A obra também aborda a visão de Sichel sobre a atuação da CIA sob Allen Dulles, com ressalvas sobre a politização de informações e a priorização de ações sobre o julgamento técnico. Em entrevistas, ele critica a premissa de que líderes nacionalistas representavam automaticamente um perigo comunista.
O relato de Kinzer, historiador, enfatiza que Sichel reconhece que muitas operações atribuídas ao acordo entre serviços de inteligência e governos resultaram em perdas humanas e no aprofundamento de conflitos. O filme contextualiza as mudanças da CIA entre espionagem e ação.
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