Ofcom abriu uma investigação contra o Telegram por suspeita de não impedir a distribuição de material de abuso sexual infantil (CSAM) na plataforma. A ação foi anunciada nesta terça-feira pela autoridade reguladora de mídia do Reino Unido, que coleta evidências de CSAM sendo compartilhado no app de mensagens.
A agência informou que o Telegram pode violar as normas que exigem sistemas para evitar que usuários encontrem CSAM e outros conteúdos ilegais, bem como mecanismos para combatê-los. Caso haja comprovação de falhas, a empresa pode sofrer sanções significativas sob a lei de segurança online em vigor.
Telegram sustenta que não há acerto com as acusações. A empresa afirmou ter eliminado amplamente a disseminação pública de CSAM desde 2018 por meio de algoritmos de detecção e cooperação com organizações não governamentais. Afirmou ainda estar surpresa com a investigação e alertou para o risco de ser parte de um ataque a plataformas que defendem privacidade.
Ofcom informou que a investigação também envolve outros serviços. O centro de proteção infantil canadense entrou em contato com a agência sobre a presença e o compartilhamento de CSAM no Telegram. Além disso, a autoridade abriu apurações sobre Teen Chat e Chat Avenue por possíveis riscos de grooming.
O apoio de organizações de proteção infantil reforça o escrutínio. A NSPCC celebrou a abertura da apuração, destacando que cerca de 100 casos de crimes envolvendo CSAM são registrados pela polícia diariamente. A entidade ressaltou a necessidade de medidas mais robustas para proteger crianças online.
A IWF, grupo que atua na identificação e remoção de CSAM, também acolheu a iniciativa. A diretora de comunicação da instituição apontou que, embora já haja ações, ainda é preciso ampliar salvaguardas em plataformas de mensagens, incluindo chats protegidos por criptografia de ponta a ponta.
Contexto regulatório
Ocom informou que a investigação sobre Telegram surge no contexto de uma ofensiva mais ampla contra serviços que possam violar as normas de segurança online. A legislação vigente, vigente desde março de 2025, obriga serviços de usuário para usuário a demonstrar medidas contra conteúdos ilegais prioritários, como CSAM, terrorismo, grooming e pornografia extrema.
Suzanne Cater, diretora de fiscalização da Ofcom, destacou que a exploração sexual de crianças causa danos graves às vítimas e que a atuação sobre CSAM é uma das prioridades da agência. Ela acrescentou que a extensão do problema envolve plataformas grandes, não apenas serviços menores.
Entre na conversa da comunidade