A Ucrânia retomou nesta quarta-feira, 22, o bombeamento de petróleo russo pelo oleoduto Druzhba para a Europa, abrindo caminho para a adoção preliminar de um empréstimo de 90 bilhões de euros pela União Europeia a Kiev. Segundo fonte do setor energético da Ucrânia, “o transporte de petróleo começou e o bombeamento foi iniciado”.
A empresa húngara MOL confirmou que espera que os primeiros carregamentos cheguem à Hungria e à Eslováquia já nas próximas 24 horas. Em Bratislava, a ministra da Economia Denisa Sakova informou que os embarques devem chegar às primeiras horas de quinta-feira.
A retomada ocorre após o Druzhba ter sido danificado em janeiro, em um ataque atribuído à Rússia, o que interrompeu o fornecimento para Hungria e Eslováquia. O bloqueio húngaro, aliado a acusações de atraso nos reparos, abriu caminho para o veto ao empréstimo europeu.
Veto húngaro
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, derrotado nas eleições de 12 de abril, chegou a condicionar a liberação do financiamento à conclusão dos reparos no oleoduto, provocando tensões com a União Europeia. A Eslováquia também manifestou resistência caso o pacote de sanções contra a Rússia não fosse ajustado.
Agora, a ajuda europeia deve permitir que a Ucrânia financie defesa e gastos públicos em 2026 e 2027, com o objetivo de fortalecer a capacidade de resistência frente à Rússia. A decisão ainda depende de novas etapas de aprovação dentro da UE.
Acordos e consequências
Na terça-feira, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky anunciou o encerramento dos reparos no Druzhba. Em março, ele havia dito que a União Europeia pressionava Kiev a prosseguir com as obras, caracterizando a cobrança como “chantagem”.
A UE já impôs, desde 2022, sanções às importações de petróleo da Rússia, mas manteve o Druzhba fora do embargo para não interromper o abastecimento de países sem litoral. A retomada do fluxo, entretanto, sinaliza uma mudança no cenário de crédito e de dependência energética na região.
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