A Lafarge, empresa francesa de cimento, foi condenada por financiar grupos jihadistas na Síria para manter uma planta em funcionamento durante a guerra civil. A decisão, proferida pelo Tribunal Penal de Paris, aponta pagamentos entre 2013 e 2014 totalizando cerca de 5,6 milhões de euros.
O veredito responsabiliza oito ex-diretores, incluindo o ex-presidente Bruno Lafont, que recebeu seis anos de prisão com início imediato. A Lafarge, que hoje integra o grupo suíço Holcim, também foi considerada culpada pelos crimes de financiamento ao terrorismo internacional.
Segundo a sentença, a fábrica de Jalabiya, no norte da Síria, foi mantida operacional para assegurar acesso a matéria-prima e à segurança dos trabalhadores. Os recursos teriam contribuído para atos terroristas, inclusive ataques promovidos pelo EI, como o ataque a Charlie Hebdo em 2015.
Os promotores destacam que a empresa pagou a organizações jihadistas para manter a fábrica em funcionamento, com valores como 800 mil euros para segurança e 1,6 milhão de euros para compra de matérias-primas em áreas sob controle do EI. A investigação abrangeu dados de 2013 a 2014.
A defesa de Bruno Lafont contestou a condenação, alegando falta de provas e de demonstrações. Os advogados anunciaram recurso, apontando que a decisão pode ser revista em instância superior, conforme o sistema jurídico francês.
A Lafarge reconheceu a sentença, afirmando que os acontecimentos de mais de uma década violaram o código de conduta da empresa e classificou o veredito como um marco para operações em zonas de conflito. A empresa enfatizou que a situação herdada exige regras mais rígidas.
Especialistas consultados destacam o caráter histórico do caso, ao reconhecer responsabilidades corporativas em situações de terrorismo financeiro. A decisão pode exigir maior rigor na due diligence de multinacionais que atuam em áreas de conflito.
Para o meio jurídico, o caso sinaliza que grandes empresas podem ser punidas por decisões econômicas que alimentam organizações armadas. O impacto esperado envolve maior escrutínio sobre controles internos, logística e cadeia de suprimentos em contextos de guerra.
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