O Brasil avançou onze posições no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2026, divulgado pela ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) na quinta-feira. O país alcançou a 52ª posição entre 180 nações, ampliando o ritmo de melhora observado desde 2022.
Apesar da evolução, o relatório aponta que o ambiente para jornalistas continua desafiador no Brasil, com fatores que mantêm a imprensa sob pressão. A RSF cita o uso frequente de ações judiciais como ferramenta de intimidação, prática conhecida como assédio judicial.
Ao comparar com o cenário global, o ranking revela que mais da metade dos países avaliados está em situações consideradas difíceis ou muito graves, e a média global atingiu o menor patamar em 25 anos. Entre os critérios, destacam políticas públicas, aspectos legais, econômicos, sociais e a integridade física de profissionais da imprensa.
Contexto regional
Outro destaque problemático do levantamento é a posição da Argentina, que caiu para a 98ª colocação. A RSF aponta que medidas de governo com retóricas hostis à imprensa alimentam a deslegitimação do papel jornalístico, fenômeno observado em várias regiões.
A posição do Brasil, segundo a RSF, ocorre em meio a mudanças legais que, segundo a entidade, têm sido instrumentalizadas para dificultar o trabalho de jornalistas. O documento ressalta ainda o enfraquecimento econômico de veículos e a ampliação de mecanismos legais de repressão.
Além do Brasil, os Estados Unidos recuaram para a 64ª posição, após movimento contrário de alta de anos anteriores. A RSF afirma que quedas em democracias estão associadas a estratégias de repressão e de deslegitimação da imprensa.
O relatório é elaborado a partir de cinco critérios que avaliam, entre outros aspectos, a autonomia da mídia e as limitações impostas ao jornalismo pelo governo. Mantém o foco na prática de liberações legais, ataques diretos, censura e condições de trabalho.
Fontes do estudo indicam que as mudanças observadas refletem um panorama global de tensão entre governos e meios de comunicação, com impactos na qualidade informativa, na diversidade de vozes e no acesso a informações independentes.
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