Pheap Rom, um refugiado cambodiano de 43 anos, foi deportado dos Estados Unidos para Eswatini, onde ficou preso por mais de cinco meses sem status legal, sem acusações e com recursos limitados para contestar a detenção. A transferência ocorreu em outubro do último ano, partindo de Louisiana, e não para um centro de detenção alternativo como ele esperava.
Rom chegou aos EUA como refugiado, em 1985, e obteve green card em 1987. Em 2010, segundo registros federais, houve ordem de remoção por crimes relacionados à violência. A defesa afirma que o episódio decorreu de autodefesa, após uma confrontação com homens que atiraram contra ele.
A decisão de enviá-lo a Eswatini, país africano com regime monárquico, faz parte de uma estratégia mais ampla da administração Trump de deportar migrantes a países onde não possuem vínculos. Em dois anos, o governo firmou acordos para remoções em mais de duas dezenas de países, com contratos que preveem detenção em instalações locais, muitas vezes com pouca supervisão.
Segundo a defesa, o Departamento de Segurança Interna afirmou que Rom teve devido processo e que, originalmente, deveria ser removido para a Tailândia. Contudo, evidências obtidas por USA TODAY mostraram sua detenção em Eswatini e retorno ao Camboja, o que levou o DHS a confirmar, posteriormente, a transferência.
Em Eswatini, Rom descreve condições de prisão com mofo e infestações, além de vigilância sobre ligações telefônicas. Em abril, a Justiça local reconheceu direito de deportados de conversar com advogados no país. Apenas mais um deportado foi libertado até agora.
Organizações de direitos humanos criticam o modelo de remoções para terceiros países, afirmando que ele expõe pessoas a detenções arbitrárias e condições precárias. Segundo a Human Rights Watch, o governo americano é responsável por esse risco, mesmo quando a prática envolve acordos com nações vulneráveis a abusos.
Até o momento, não há número oficial divulgado sobre quantas pessoas foram enviadas por meio desses acordos ou o custo total do programa. Estima-se que ao menos centenas de migrantes tenham sido afetados, com custos indicados em relatórios do Congresso e análises de think tanks.
Rom retornou ao Camboja em 26 de março, após meses de detenção. Ao chegar, mantinha-se receoso de recomeçar a vida em um país onde nunca viveu, em meio a um cenário de dúvidas sobre o suporte recebido pelas autoridades americanas e pelas autoridades locais de Eswatini.
Em Eswatini, as autoridades locais, o governo do Camboja e advogados de Rom seguem avaliando os próximos passos legais e humanitários. O caso de Rom é apresentado como exemplo de um mecanismo de remoção que utiliza terceiros países para ampliar controle sobre migrantes sem vínculos com o país de origem.
Paralelamente, tribunais dos EUA discutem a legalidade do programa de remoções a terceiros países, com decisões conflitantes e recursos em curso. A prática permanece sob escrutínio internacional, com críticas de ONGs que apontam violações de direitos humanos e falta de salvaguardas para migrantes removidos.
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