O júri da 61ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza renunciou aos seus cargos nesta quinta-feira. O quinteto era presidido pela curadora brasileira Solange Farkas e havia sinalizado que não premiaria artistas de nações cujos líderes fossem acusados de crimes contra a humanidade. A renúncia ocorreu dias antes da abertura oficial da Bienal, marcada para 9 de maio. A organização ainda não informou quem assumirá os cargos.
Segundo o comunicado divulgado pelo júri, a renúncia foi motivada pela polêmica envolvendo a posição previamente anunciada, sem especificar quais países estariam sob a crítica. O caso se desenha em meio a tensões internacionais com investigações envolvendo líderes de Israel e a Justiça internacional em relação a ações no conflito com Gaza, além de mandados de prisão internacionais contestando atos na Ucrânia.
A repercussão se intensificou após críticas do Ministério das Relações Exteriores de Israel, que afirmou, em redes sociais, que o evento deixou de ser um espaço de liberdade criativa para se tornar um palanque de críticas ao Estado. Artistas israelenses também manifestaram preocupações com a censura e o tratamento dado ao tema no festival.
Entre os nomes ligados ao júri, o escultor Belu-Simion Fainaru, de Israel, já havia se manifestado sobre a situação. Fainaru chegou a consultar advogados para avaliar ações legais contra o júri, questionando a discriminação e defendendo a avaliação pela qualidade da obra e pela mensagem artística.
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