O ativista brasileiro Thiago Ávila, detido na quinta-feira junto a mais de 175 participantes de uma flotilha humanitária com destino à Faixa de Gaza, será interrogado em Israel. A operação também envolve o espanhol-palestino Saif Abu Keshek, que deve passar por interrogatório.
A maior parte dos ativistas da flotilha, composta por cerca de vinte barcos, desembarcou nesta sexta na ilha grega de Creta. Segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel, Ávila e Keshek não chegaram ao território grego e serão levados a Israel para os interrogatórios.
O grupo tinha como objetivo levar ajuda humanitária a Gaza. Em Creta, a maioria das embarcações já está no porto, com exceção de alguns barcos que seguiram para Ierápetra, em Creta, antes da captura.
Detenção e posicionamentos oficiais
Segundo a Chancelaria israelense, todos os ativistas já estavam na Grécia, exceto Ávila e Keshek. O ministério afirmou que Ávila é suspeito de atividade ilegal e Keshek, de ligação com organização considerada terrorista.
Entre os brasileiros detidos pela operação, também estavam Amanda Coelho Marzall (Mandi Coelho), Leandro Lanfredi de Andrade e Thainara Rogério. Os últimos dois atuavam em áreas sindicais e de petróleo.
A organização da flotilha informou que, segundo seus relatos, autoridades apontaram armas de fogo para os tripulantes e ordenaram que se movam para a frente das embarcações. A versão oficial de Israel descreveu a operação como intervenção em uma “flotilha de propaganda”.
Contexto e desdobramentos
Relatos de organizações internacionais indicam que, no total, pelo menos 211 ativistas teriam sido detidos. Outros detalhes sobre o paradeiro de parte dos envolvidos não foram divulgados pelas autoridades. A flotilha buscava romper o bloqueio israelense a Gaza e entregar ajuda humanitária.
A interceptação ocorreu em águas próximas à ilha de Creta, numa distância descrita como sem precedentes por representantes do grupo. A versão israelense mencionou achados a bordo que foram considerados inadequados por opositores da ação.
Repercussões internacionais
A atuação israelense foi amplamente criticada por organizações de direitos humanos, que classificaram a intervenção como ilegal. A ONU e outras entidades temem impactos humanitários na região, agravando a crise já existente em Gaza desde 2023.
Relatórios médicos e de organizações humanitárias destacam dificuldades de acesso a água e serviços básicos em Gaza, enfatizando preocupações com o direito humanitário. Autoridades de Israel mantêm a visão de controle de fronteiras e segurança regional.
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