O ativista brasileiro Thiago Ávila foi detido na quarta-feira (29) em uma flotilha humanitária que seguia para a Faixa de Gaza. Ele, junto com outros 174 ativistas, foi interceptado em águas internacionais perto da ilha de Creta, na Grécia, e levado à detenção pela Marinha israelense. A ação ocorreu no contexto de operações de bloqueio naval a Gaza.
Entre os detidos estavam três brasileiros, incluindo Ávila, que participavam de uma missão para entregar ajuda humanitária. No total, 175 pessoas de várias nacionalidades foram capturadas durante a operação. Ávila e Saif Abu Keshek foram encaminhados à prisão de Shikma, em Ashkelon, ao norte de Gaza. Representantes da Embaixada do Brasil em Israel acompanharam a viagem.
Na sexta-feira (1º), autoridades israelenses disseram que interrogariam Ávila e Keshek, enquanto outros ativistas capturados seriam liberados e levados a um porto em Creta. A Global Sumud Flotilla relatou que a embaixada brasileira foi impedida de levar celulares durante visita consular a Ávila.
Segundo a organização, Ávila afirmou ter sido arrastado de bruços e desmaiado duas vezes por espancamento durante a detenção. Relatos indicam marcas no rosto, dores no ombro e sensação de venda, com isolamento de mais de dois dias. A organização afirma que ele está sem janelas na cela e que a visão do olho esquerdo está prejudicada devido ao inchaço.
A Global Sumud Flotilla também informou que a advogada que acompanhou a visita disse que Ávila está com o olho esquerdo fechado em virtude dos ferimentos. O ativista já havia sido preso em outras flotilhas no passado, com relatos de maus-tratos, ameaças e confinamento em solitária feitos por familiares.
Em comunicação, a Global Sumud Flotilla destacou que a prisão atual difere pelo potencial enquadramento penal além de questões migratórias, com acusações ainda não formalizadas. O Ministério das Relações Exteriores de Israel classificou Ávila como suspeito de atividade ilegal, sem detalhes adicionais, e citou Keshek como suspeito de filiação a uma organização terrorista.
A organização afirma que Ávila pode permanecer detido por tempo indeterminado caso haja formalização de acusações. O ativista disse à embaixada ter sido interrogado pelo Shin Bet e de que o Mossad também seria acionado, sob suspeita de ligação com organização terrorista. A embaixada brasileira não recebeu confirmação formal sobre as acusações.
O Itamaraty divulgou nota conjunta com o governo espanhol condenando o que classificou como sequestro de dois cidadãos em águas internacionais e exigiu o retorno imediato de Ávila e Keshek com garantias de segurança. A nota descreve a ação como ilegal e uma afronta ao direito internacional, passível de encaminhamento a cortes internacionais.
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