O governo da Zâmbia cancelou o RightsCon 2026, a maior conferência mundial sobre direitos humanos e tecnologia, dias antes do início previsto. O evento, marcado para Lusaka entre 5 e 8 de maio, foi suspenso para confirmar se a pauta se alinha aos valores nacionais, prioridades de política pública e interesse público.
A expectativa era reunir mais de 2.600 ativistas, tecnólogos, acadêmicos e formuladores de políticas para debater direitos digitais, censura online, interrupções de internet, IA, vigilância, militarização da tecnologia e desinformação. A conferência ocorreria pela primeira vez na África Austral, após edição em Taipei no ano anterior.
A decisão gerou críticas entre defensores de direitos humanos, que veem o ato como censura e como parte de um padrão de restrição a debates públicos. Alegações não oficiais sugerem pressão externa, inclusive por influências ligadas a China, já que delegados de Taiwan seriam destinatários e o local era cedido por um parceiro chinês. Ainda não houve explicação oficial final.
Delegados já organizavam viagens e vistos, com custos significativos. Participantes que se preparavam para palestrar sobre censura digital, saúde sexual e direitos reprodutivos disseram que a suspensão representa perda financeira e de oportunidades para ampliar o diálogo entre a África de língua francesa e o restante do continente.
Reação de organizações e líderes
Pessoas ligadas a organizações de direitos humanos afirmam que a retirada repentina prejudica espaços de debate e participação cívica. Campos de atuação, como segurança de membros de organizações femininas e LGBTQIA+, podem ficar mais limitados sem esse espaço de convívio internacional. Observadores citam o impacto no clima democrático em ano de eleições gerais, programadas para agosto de 2026.
A organização Access Now, responsável pela condução do RightsCon, informou que manteve diálogo com autoridades para assegurar transparência, mas classificou a decisão como unilateral e apontou riscos ao conjunto de civil society. A medida é descrita como prejudicial ao ecossistema de organizações que trabalham com direitos humanos em contextos de financiamento e pressões políticas.
Outros relatos destacam que a suspensão impede que vozes da África subsaariana discutam políticas públicas digitais, proteção de dados, direitos de mulheres e populações vulneráveis, além de restringir a participação de grupos que já enfrentam obstáculos para se reunirem publicamente.
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