Em um campo enevoado no nordeste da Ucrânia, quatro soldados acompanham pontos na tela de uma van, usando drones interceptadores para impedir ataques. A missão faz parte do esforço de defesa contra o drone Shahed, de baixo custo, de origem iraniana e amplamente utilizado pela Rússia.
A operação envolve cerca de mil equipes similares, equipadas para interceptar os Shahed que conseguem passar pelas defesas ucranianas. Mesmo que muitos drones sejam derrubados, os que chegam ao alvo provocam danos a infraestrutura militar, cidades e redes de energia. Milhões ficam sem aquecimento em meses de conflito.
A Ucrânia mantém uma meta ambiciosa para neutralizar 95% dos Shahed e de outros drones de longo alcance, anunciada em fevereiro pelo ministro da Defesa Mykhailo Fedorov. Dados da força aérea indicam interrupção de pouco mais de 85% em determinado mês, com aumento para 90% segundo o ministério.
Avanços e limites
A Reuters apurou relatos de autoridades, fabricantes e militares de que a campanha gera resultados graduais. A taxa de interceptação tem aumentado conforme a infraestrutura defensiva cresce, mas a evolução tecnológica russo tem desafiado as contra-medidas nacionais.
Especialistas destacam que a velocidade dos Shahed evolui. Interceptadores precisam superar o alcance do drone para detê-lo antes do impacto. Muitos ataques ocorrem sob condições climáticas adversas, reduzindo a eficiência das redes de defesa.
Alguns Shaheds já operam com motores a jato, elevando velocidades para cerca de 400 km/h. Em resposta, o esforço tecnológico mira drones interceptadores com propulsionamento a jato para ampliar a reação. Oficiais lembram que a atualização é complexa e demorada.
O conjunto de defesas ucranianas envolve guerra eletrônica, interceptadores, veículos terrestres armados, helicópteros e caças. Além disso, as forças aéreas contam com caças F-16 capazes de derrubar múltiplos Shaheds por noite.
Perspectivas e desafios
Autoridades ressaltam que a transformação de redes de drones em sistemas autônomos ou semi-autônomos exige tempo e investimentos. Um dos desafios é a evolução da inteligência artificial usada pela Rússia para planejar novas rotas de voo, conforme avaliou a defesa ucraniana.
Outra dificuldade é a aplicação de redes em malha, com diversos drones conectados para manter a navegação frente a bloqueios. Em contrapartida, parte das operações é feita remotamente, com pilotos controlando interceptadores à distância, apoiados por equipes em solo.
Ainda não há confirmação independente dos números de lançamentos e interceptações. O Ministério da Defesa da Rússia não respondeu a pedidos de comentário. A Ucrânia continua defendendo infraestruturas críticas e cidades, enquanto segue ajustando suas táticas frente a uma ofensiva de longo prazo.
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