O parlamento da Romênia aprovou um voto de desconfiança que destituiu o primeiro-ministro Ilie Bolojan. A sessão ocorreu nesta terça-feira, com 281 deputados votando a favor, acima dos 233 necessários. O anúncio encerra quase um ano de mandato em meio a pressões da esquerda e da oposição de centro-direita.
A coalizão formada por quatro partidos, liderada por Bolojan, perdeu apoio do maior grupo parlamentar, os social-democratas, que criticaram as medidas de austeridade para reduzir o déficit. O recuo ocorreu após meses de atritos entre o governo liberal e a oposição social-democrata.
Contexto político
O presidente Nicușor Dan anunciou que tentará reconstruir a coalizão sob um novo primeiro-ministro, possivelmente de outro integrante do mesmo partido ou de um nome técnico. Bolojan deve permanecer como primeiro-ministro interino até a aprovação de um novo gabinete.
Apesar da instabilidade, as eleições estão previstas apenas para 2028. O mercado financeiro reagiu com cautela; a moeda leu atingiu mínima histórica frente ao euro antes da votação. O país permanece alinhado com a União Europeia e a OTAN, e Dan reiterou a intenção de manter postura pró-Bruxelas.
Desdobramentos econômicos e eleitorais
A coalizão chegou ao poder há cerca de 10 meses, buscando conter o crescimento da aliança ultranacionalista AUR, que detém uma parcela relevante no parlamento. Dan venceu a eleição presidencial de 2023 após a anulação de uma vitória de direita, devido a alegações de fraude eleitoral e interferência russa.
O grupo socialista destacou que está disposto a retornar a uma coalizão pró-EU com um novo premiê. A decisão de hoje amplia a incerteza sobre o rumo fiscal do país, com possibilidade de alterações na política econômica até a formação de um novo governo.
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