Um copiloto da flydubai teria esfaqueado o comandante e tentado derrubar um avião que seguia de Dubai para Tel Aviv nesta quarta-feira (30). Identificado pelas autoridades israelenses como cidadão de Omã, o suspeito foi contido durante o voo.
Mesmo ferido com uma faca, o comandante conseguiu destravar a porta da cabine, permitindo que passageiros entrassem e contivessem o agressor. Uma tripulação reserva que estava a bordo assumiu o controle da aeronave e realizou o pouso no aeroporto de Tabuk, na Arábia Saudita. Mais de 170 pessoas estavam no avião.
“Sabemos que ele passou por uma doutrinação islâmica radical. Isso parece ser o que estamos concluindo a partir de suas informações pessoais”, declarou Netanyahu em entrevista à emissora americana Fox News.
O episódio chama atenção para a sensibilidade da cabine de comando quando o assunto é segurança aérea e também levanta uma questão: o que pode ser feito para impedir que um piloto de linha aérea derrube deliberadamente uma aeronave?
Pilotos precisam passar pela segurança do aeroporto?
Os procedimentos de segurança criados para impedir que passageiros embarquem com objetos capazes de colocar um voo em risco também valem para as tripulações. Pilotos não estão dispensados dessas inspeções.
Dependendo do tamanho do aeroporto de partida, eles passam pelos mesmos pontos de controle utilizados pelos passageiros ou por filas específicas destinadas a funcionários e tripulantes.
A inspeção também pode ajudar a identificar comportamentos considerados fora do normal, como um piloto que aparente nervosismo excessivo ou esteja sob efeito de álcool ou outras substâncias.
As bagagens de mão levadas para a cabine passam por raio-X, enquanto os pilotos também são submetidos a detectores de metais.
Israel é considerado um destino de alto risco desde uma série de sequestros de aeronaves e ataques registrados na década de 1970. Por isso, voos para o país costumam ser submetidos a um nível maior de vigilância, procedimento com o qual um aeroporto do porte e da relevância de Dubai está bastante acostumado.
Quão segura é a cabine de comando?
O acesso à cabine foi reforçado após os ataques de 11 de Setembro, nos Estados Unidos, quando os invasores conseguiram entrar nos cockpits e derrubar as aeronaves.
Atualmente, ao serem alertados sobre uma ameaça, os pilotos podem trancar a porta da cabine, que é sempre reforçada. Neste caso, porém, a ameaça teria surgido dentro da própria cabine, uma situação extremamente rara.
Os primeiros relatos indicam que o comandante conseguiu manter o controle do acesso à cabine e alertar seus colegas.
Como as companhias aéreas garantem que seus pilotos não sejam perigosos?
Essa é uma das questões mais delicadas da segurança aérea, já que envolve identificar uma possível ameaça que nem sempre apresenta sinais evidentes.
O caso mais emblemático ocorreu em 2015, quando um avião da Germanwings caiu nos Alpes franceses após ter sido derrubado deliberadamente por um piloto.
A investigação revelou que o piloto, um alemão de 27 anos, sofria de depressão e apresentava tendências suicidas das quais seu empregador não tinha conhecimento.
O acidente deixou 150 mortos e ampliou, entre companhias aéreas de diferentes países, a preocupação com a necessidade de acompanhar mais de perto a saúde mental dos tripulantes.
As empresas, no entanto, divulgam poucas informações sobre os procedimentos adotados nessa área, por diferentes motivos, entre eles a confidencialidade.
(Com informações da Reuters e AFP)
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