Vladimir Putin apresentou a Rota Marítima do Norte como alternativa ao Estreito de Ormuz, diante das interrupções nas cadeias globais de transporte provocadas por conflitos regionais. A proposta foi comentada em tom de argumento estratégico para o comércio entre Ásia e Europa, via Ártico ao longo da costa russa.
A discussão envolve diretamente o presidente russo e a comunidade científica, representada pela pesquisadora Ksenia Vakhrusheva, da Fundação Ambiental Bellona. A fala ocorre no contexto da guerra no Irã, que impacta o tráfego marítimo pelo estreito controlado pelo Irã e seus aliados.
Quando se observa a prática, as informações apontam que a rota ainda tem baixa utilização. Dados indicam que 12% do comércio global utiliza o Canal de Suez, enquanto o Estreito de Ormuz teve 148 navios atravessando no período anterior ao início da guerra. A Rota Marítima do Norte registrou apenas 103 travessias em todo 2025.
Viabilidade econômica e operacional
A pesquisadora Vakhrusheva afirma que, hoje, a rentabilidade da rota não corresponde à percepção projetada pela Rússia. O clima extremo no Ártico reduz a janela de navegação e aumenta custos com operações de quebra-gelos. A rota permanece sob controle exclusivo da Rússia, com autorização prévia para cada navio.
Além disso, o uso depende de quebra-gelos russos e de autorização prévia, o que impede flexibilidade para muitos países e operadoras. As autoridades destacam que o custo e o acesso restrito dificultam a viabilidade comercial frente a rotas já estabelecidas.
Em síntese, a rota do Ártico surge como alternativa potencial, mas, até o momento, apresenta entraves estruturais de clima, custo, controle estatal e viabilidade econômica frente às rotas convencionais.
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