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Ativista iraniano diz à BBC que medo de guerra agrava trauma da repressão

Ativista iraniana descreve trauma intenso, perda de função física e aumento da repressão social acentuada pela guerra, elevando a crise de saúde mental no país

An armed Iranian police officer stands guard on an armored vehicle, monitoring the area during a state-run religious rally in downtown Tehran, Iran, on April 29, 2026. An Iranian flag is seen in the foreground.
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Shirin, ativista iraniana cuja identidade é preservada, vive em Teerã sob vigilância permanente. A ansiedade é constante e a perda de mobilidade parcial da mão esquerda persiste desde dias de repressão e medo de novos conflitos. Ela descreve respostas involuntárias a sons perturbadores e uma sensação de bloqueio emocional.

Na capital, atos oficiais do regime incluem desfiles de mulheres em jeeps com armas pesadas e outras caminhando com rifles automáticos, sinalizando força estatal em meio a tensões crescentes. A situação ocorre em um cenário de repressão acentuada contra opositores.

A BBC utilizou fontes confiáveis dentro do Irã para ouvir pessoas silenciadas pelo governo. Shirin, que enfrenta interrogatórios e restrições, relata insegurança contínua e impotência diante das ações do Estado contra detentos durante a revolta de janeiro.

Após assinar um termo de silêncio público sob risco de confinamento solitário, Shirin recebeu liberdade condicional. A possibilidade de prisão hoje, no entanto, é considerada real e sem opções de escolha. A pressão permanece alta entre ativistas.

De acordo com a Human Rights Watch, muitos detidos poderiam nunca ter sido presos, enfrentando violações de direitos, ferimentos graves e até morte. Organizações estimam mais de 50 mil prisões desde as recentes manifestações contra o regime.

A repressão se intensificou desde o início da guerra em fevereiro, com relatos fortes de tortura. Um relatório da HRW cita um dos comandantes da polícia afirmando que protestos não serão tratados como manifestações, mas como ações hostis.

A violência de janeiro, motivada também por más condições econômicas, ampliou o descontentamento público. Naquele período, protestos contra o governo ganharam força nas ruas de Teerã e demais cidades, segundo relatos de observadores.

A crise de saúde mental no Irã se agrava com o conflito. A Organização Novo Hospitalar Iraniana registra dezenas de milhares de ligações de apoio desde o começo do confronto, enquanto ataques a instalações médicas dificultam o atendimento.

Em relatos de profissionais de saúde, o atendimento a pacientes com trauma de conflito enfrenta escassez de recursos. Um médico descreve a angústia de pacientes que entram em choro ao perguntar sobre o estado emocional, com apenas um psicólogo disponível semanalmente para uma população de dezenas de milhares.

Shirin teme uma possível retaliação judicial caso as circunstâncias mudem. Ela aponta que a pressão sobre liberdades individuais tende a aumentar se o regime permanecer após o término do conflito, ainda que tenha adotado postura de resistência ao longo do tempo.

Embora as dificuldades permaneçam, Shirin afirma que manter a resistência é visto, por ela, como essencial para a continuidade do país. Em diálogo com a imprensa, a ativista sinaliza disposição de enfrentar novas prisões para preservar o país, sem abrir mão de suas convicções.

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