Clara Chappaz, diplomata francesa, comanda a agenda de soberania digital do governo Macron. O foco é reduzir a dependência de plataformas americanas e fortalecer a infraestrutura de dados nacional. A meta envolve ações concretas no setor público.
A França tem avançado na substituição de ferramentas digitais de uso governamental, promovendo parcerias com empresas locais. A iniciativa integra políticas europeias de autonomia tecnológica e visa reduzir vulnerabilidades externas.
Desde 2024, Chappaz ocupa o cargo de embaixadora da tecnologia digital e IA, criado para cuidar da soberania digital. Em 2027, o governo deve substituir o Microsoft Teams por uma solução francesa no atendimento público.
Substituição de ferramentas e parcerias nacionais
A mudança inclui a substituição de plataformas de vídeo e de comunicação, com foco em soluções nacionais. Outros serviços norte-americanos também devem deixar de ser usados no governo francês.
Em entrevista ao Estadão, a embaixadora afirmou que soberania digital não é fechar portas, e sim diversificar relações e reduzir dependência de poucos atores. O objetivo é maior resiliência tecnológica.
Chappaz destacou que o esforço é longo e exige alianças internacionais. Recentemente, França e parceiros europeus discutiram cooperação com Japão e Coreia para ampliar alianças acadêmico-empresariais.
Perspectivas europeias e regulamentação
A diplomata ressaltou a visão compartilhada na União Europeia sobre padrões éticos para IA e tecnologia. Regras comuns podem facilitar a entrada de empresas no mercado europeu, promovendo competição justa.
She enfatizou ainda a importância de investimentos europeus em IA, citando planos anunciados pela Comissão para estimular fábricas e pesquisa. O objetivo é fortalecer a capacidade tecnológica da região.
Questionada sobre o papel da regulamentação, a embaixadora disse que regras consistentes ajudam a evitar monopólios. A abordagem combina políticas públicas e participação de empresas, universidades e governos.
Contexto estratégico e âmbito global
Segundo Chappaz, a soberania digital representa uma decisão geopolítica para reduzir vulnerabilidades futuras. O grupo tem buscado cooperação com diferentes países para construir tecnologias de forma conjunta.
A diplomata rejeitou a ideia de um “kill switch” como motivação principal, argumentando que a prioridade é evitar dependência excessiva. O foco é manter autonomia sem reduzir parcerias globais.
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