A elevação dos níveis de água nos pântanos do Iraque, após anos de seca, está reverteendo parte do cenário devastador. O Ministério de Recursos Hídricos passou a liberar volumes crescentes para as áreas alagadas, beneficiando comunidades e a biodiversidade local.
Nos pântanos de Chibayish, no sul, barcos voltam a navegar por canais que haviam secado. Em áreas antes abandonadas, búfalos atravessam lagoas que se formaram e pastagens verdes reaparecem, sinalizando recuperação gradual.
A seca prolongada, aliada a obras de infraestrutura que bloqueavam os cursos de água, levou ao retraimento dos pântanos. Com fortes chuvas recentes, os reservatórios ganharam altura, impulsionando as liberações de água para os ecossistemas alagados.
Ishan Hallab e a recuperação regional
A área de Ishan Hallab, que havia secado completamente entre 2021 e 2025, começa a regredir a degradação. Especialistas apontam que parte do território voltou a ficar úmido, permitindo o retorno de moradores e criadores de búfalos.
Segundo dados de autoridades hídricas, a porção submersa dos pântanos aumentou para between 32% e 36%, frente a até 8% nos anos recentes. Essa variação indica uma resposta mais favorável a choques climáticos e gestão da água.
A recuperação também favorece a biodiversidade local. Aumenta a população de peixes e a vegetação de juncos, utilizados na construção tradicional das habitações ribeirinhas. Essa dinâmica reforça a ligação histórica dos arabos dos pântanos com o território.
Avanços na gestão e perspectivas
Funcionários de recursos hídricos destacam que maiores fluxos de entrada, somados a chuvas sazonais mais intensas, elevam as reservas das barragens. Assim, o Tigre e o Eufrates recebem mais água, viabilizando o abastecimento no verão.
O Ministério de Recursos Hídricos informou que as reservas estratégicas do Iraque cresceram consideravelmente neste ano, oferecendo maior flexibilidade para gerenciar o uso da água durante meses quentes. A expectativa é manter o ritmo de liberação de água aos pântanos.
Historicamente, os pântanos do Iraque cobriam mais de 9.500 km², mas foram amplamente drenados na década de 1990. Após a queda de Saddam Hussein, o governo reinundou parte da região, com retornos graduais de moradores, inclusive de Árabes dos Pântanos.
Para criadores como Raheem Abdul Zahra, a mudança é perceptível: a terra seca passou a estar viva novamente, registrando melhoria no manejo da água e na qualidade de vida da comunidade local.
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