O Brasil marca presença no Festival de Cannes em 2026, de forma discreta nas disputas de longa-metragem, mas expressiva no Mercado do Filme. No total, quatro coproduções de longas compõem a participação, enquanto o curta Laser-Gato, de Lucas Acher, integra a mostra La Cinef.
Na programação competitiva, Paper Tiger, dirigido por James Gray, conta com produção brasileira de Rodrigo Teixeira. O thriller concorre à Palma de Ouro e tem elenco com Adam Driver e Scarlett Johansson. Outro exemplo é Elefantes na Névoa, coproduzido pelo Brasil, integrado à seleção Um Certo Olhar.
Na mostra paralela Semana da Crítica, Seis Meses no Prédio Rosa e Azul, de Bruno Santamaría Razo, figura como integrante. Selton Mello atua em La Perra, espetáculo da chilena Dominga Sotomayor, que estreia na Quinzena dos Cineastas. Lucas Acher, em Laser-Gato, figura no La Cinef, dedicado a filmes de escolas de cinema.
A participação brasileira no Festival também inclui o Mercado do Filme, núcleo estratégico para parcerias de produção e distribuição. Mais de 200 profissionais, entre produtores e cineastas, atuam no estande brasileiro, com apoio da RioFilme, Apex e Serviço de Cinema do Brasil. A iniciativa busca manter o cinema nacional ativo no mercado global.
A novidade deste ano é a Matinée Brésil, uma manhã de debates marcada para segunda-feira, 18 de maio, para debater o posicionamento do país no cinema e no audiovisual. Segundo Leonardo Edde, presidente da RioFilme, a meta é consolidar o bom momento atual do cinema nacional e evitar rupturas de políticas públicas.
Edde aponta que a participação discreta nas seleções de Cannes reflete ciclos de política pública. O executivo afirma que o momento é de avanços, mas reconhece efeitos de crises passadas na prática de financiamento. A equipe brasileira busca manter o país presente em horizontes globais, inclusive no Mercado do Filme.
Entre críticas recebidas no festival, produtores destacam a necessidade de maior fomento ao cinema autoral. Sara Silveira, veterana do mercado, participa com três filmes e um projeto, defendendo mais recursos para produções de porte médio. Ela reforça a importância de maior inclusão e de gestão de recursos voltada ao cinema de autor.
Outro ponto de discussão é a previsibilidade de editais. Lucas Pelegrino, produtor de São José do Rio Preto, relata que a indefinição de lançamentos dificulta acordos e posicioneamento de projetos no exterior. Ele cita mecanismos como o Fundo Setorial, Lei Aldir Blanc e ProAC como marcos importantes, mas ressalta a necessidade de regularidade.
O Mercado do Filme encerra no dia 20 de maio, três dias antes do encerramento do 79º Festival de Cannes, que ocorre no começo da semana seguinte. A programação permanece foco de negócios, além das estreias e debates que compõem a temporada mundial do cinema.
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