Na China, cerca de 200 militares russos foram treinados secretamente no fim de 2025 para atuar com drones, segundo relatos de três agências de inteligência europeias e documentos a que a Reuters teve acesso. O acordo bilíngue assinado em 2 de julho de 2025, em Pequim, detalha o treinamento e indica que parte dos combatentes já voltou à Ucrânia.
O acordo prevê que o treinamento russo ocorreu em instalações em Pequim e em Nanjing, no leste do país, com disciplinas em drones, guerra eletrônica, aviação militar e infantaria blindada. Um número semelhante de militares chineses também deve ter passado por instrução na Rússia.
A operação expõe um nível de envolvimento da China na guerra da Ucrânia que vai além de exercícios conjuntos. Um representante de uma das agências de inteligência afirmou que a China treinava tropas russas para uso operacional na Ucrânia, o que amplia a percepção de cooperação.
As respostas oficiais das defendas da China e da Rússia não foram fornecidas. O Ministério das Relações Exteriores chinês reiterou posição de neutralidade e esforço para negociações de paz, sem comentar as informações específicas apresentadas.
Escopo do treinamento
Documentos vistos pela Reuters descrevem que o treinamento russo cobriu o uso de drones, defesa aérea, guerra eletrônica e táticas de infantaria. O acordo previa sigilo total sobre as visitas e proibiu divulgação de informações a terceiros.
Alguns russos treinados teriam atuado como instrutores de alta patente, aptos a repassar conhecimentos aos superiores. Identidades de alguns militares aparecem em um documento militar russo citado pela Reuters, sem verificação independente sobre operações subsequentes na Ucrânia.
Visitas de tropas chinesas à Rússia para treinamento teriam ocorrido desde 2024, porém o treinamento de russos na China é relatado como recente por duas agências de inteligência. A China tem observado com cautela o estreitamento entre Beijing e Moscou, em meio a pressões ocidentais.
Contexto estratégico
Especialistas destacam que drones se tornaram armas centrais na guerra na Ucrânia, com uso amplo por ambos os lados para ataques a distância. A cooperação sino-russa já era conhecida por meio de exercícios, investimentos e comércio, inclusive em setores de tecnologia.
Dinâmica de eventos
Relatórios internos russos mencionam quatro fases de treinamento na China após 2024, em instituições como a Academia de Infantaria em Shijiazhuang e centros em Zhengzhou e Yibin. Os treinamentos incluíram operações com drones, defesa eletrônica e desminagem.
Contraponto e verificação
Diversos documentos citam atividades de instrutores russos na China, com fotos de soldados russos recebendo instruções de militares chineses. Ainda assim, a Reuters não conseguiu confirmar de forma independente todas as operações subsequentes na Ucrânia.
Implicações regionais
A parceria entre China e Rússia, anunciada como estratégica, desperta cautela na UE e em outras potências que observam a evolução do alinhamento entre as duas potências. As informações permanecem sob análise de serviços de inteligência de países europeus.
Entre na conversa da comunidade