O governo russo enfrenta uma dissociação cada vez mais evidente entre a estratégia de Vladimir Putin e o apoio externo. A guerra na Ucrânia, prevista para durar poucos dias, se estende e impõe custos crescentes à Rússia. A aliança com a China surge como eixo de legitimidade, porém com assimetria marcante.
A ofensiva ucraniana, com mais de 500 drones, atingiu alvos próximos a Moscou, como refinarias, polos tecnológicos e aeroportos. Os danos desafiam a vantagem territorial histórica da Rússia e elevam o custo humano e econômico do conflito.
Putin sustenta uma guerra de atrito, contando com o desgaste do adversário. Estimativas apontam quase 1,2 milhão de baixas até 2025, agravando crises demográficas e pressionando a economia, que consome recursos para sustentar a máquina de guerra.
Na esfera interna, a população encara inflação e redução do salário real, enquanto o Estado direciona recursos escassos para a produção militar. Alta temperatura política acompanha o desgaste, com institutos estatais suspendendo divulgações de números de popularidade.
A viagem de Putin à China ocorre logo após a passagem de Donald Trump pelo país. Não houve visita de cortesia: ambos chegam a Pequim por interesses estratégicos, em contextos distintos.
A dualidade na relação sino-russa
A China tem poder real para influenciar o desfecho do conflito, podendo pressionar por negociações ou ampliar o apoio tecnológico à Rússia. Em qualquer cenário, a autonomia estratégica russa tende a diminuir, sinal de dependência crescente.
Xi Jinping como árbitro no tabuleiro internacional
A presença de Putin em Pequim reforça o papel de Xi como decisor central na ordem global, ainda que não eleito e sem prestação de contas em fóruns multilaterais. O custo para Putin permanece incerto, assim como o limite imposto por Xi.
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