O bloqueio de rotas no Oriente Médio voltou a permitir que piratas somalis atuem no comércio marítimo, segundo um comunicado recente do UK Maritime Trade Operations (UKMTO). Grupos criminais próximos à Somália estão retendo pelo menos três navios: dois petroleiros e um cargueiro de cimento.
Historicamente, as rotas que passam pelo Mar Vermelho e pelo Estreito de Bab el-Mandeb vinham sendo pressionadas por ataques e bloqueios, levando transportadores a buscar alternativas como o Cabo da Boa Esperança. Dados recentes indicam queda no tráfego pelo Canal de Suez e redução do fluxo de petróleo via Bab el-Mandeb.
A situação sinaliza um retorno da pirataria à região, com custos logísticos crescentes para o comércio mundial. Analistas destacam que grupos ligados a redes de pirataria podem atuar de forma mais oportunista diante de crises geopolíticas, ampliando a necessidade de planejamento de rotas mais longas.
Força da UE intervém e liberta navio retido
A Operação Atalanta, força naval da União Europeia, libertou no mês passado um navio de bandeira iraniana retido por piratas próximo à Somália. Em meio a esse episódio, autoridades reforçam a vigilância e pedem maior relato de atividades suspeitas pelos tripulantes.
Especialistas ouvidos pela imprensa apontam que o ressurgimento da pirataria acrescenta uma camada de risco aos transportadores que evitam o Mar Vermelho. A mobilização de capitais, navios de guarda-costas e maior custo de seguro são citados como impactos diretos pelo aumento da atividade criminosa.
O professor de relações internacionais da PUCPR afirma que o risco somali é distinto do risco político-militar no Oriente Médio, dependendo de fatores como tempo de resposta a sequestros, custo de resgate e infraestrutura para operações de resgate, o que ele classifica como uma operação logística complexa.
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