Nadia Marcinko, ex-namorada de Jeffrey Epstein, tem sido pouco conhecida pelo grande público, mas pode entrar no radar político dos EUA. Ela foi a principal parceira de Epstein por sete anos, após o fim do relacionamento dele com Ghislaine Maxwell. Registros de uma passagem de Epstein pela prisão apontam que Marcinko o visitou ao menos 67 vezes durante a detenção por aliciamento de menor.
Marcinko aparece como uma das quatro mulheres citadas em um acordo judicial de 2008 que lhe concedeu imunidade. Hoje, duas assistentes de Epstein, Sarah Kellen e Lesley Groff, devem ser ouvidas por parlamentares norte-americanos, e há pedidos para investigar também Adriana Ross e Marcinko, apesar da imunidade. Marcinko não foi processada, mas jovens que depuseram em Palm Beach afirmaram que ela participou dos abusos.
Imunidade, investigações e versão de Marcinko
As investigações sobre Marcinko levantam a discussão sobre se vítimas de coerção podem ser consideradas cúmplices. A BBC analisou meses de entrevistas com pessoas próximas a Marcinko e revisou e-mails entre ela e Epstein em arquivos governamentais, buscando traçar seu papel.
Os e-mails indicam que Epstein e Marcinko buscavam formar uma família, e mostram que ele pediu que ela recrutasse outras mulheres para satisfazer seus desejos sexuais, ao que ela aparentemente concordou. Também há relatos de comportamento coercitivo de Epstein, incluindo afirmações de Marcinko sobre violência física.
Marcinko afirmou a investigadores que Epstein era fisicamente violento, descrevendo situações de agressão. O material divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA, em janeiro, traz depoimento que corroboraria trechos das investigações, ainda que alguns nomes estejam censurados.
Contexto e desdobramentos
A BBC tentou ouvir Marcinko, mas ela não respondeu. Desde a morte de Epstein em 2019, a radar público, Marcinko afastou-se da vida pública. A reportagem também relata que Epstein controlava diversos aspectos da vida de Marcinko, segundo o depoimento.
Marcinko nasceu na Eslováquia e declarou ter conhecido Epstein em Nova York, em 2003, aos 18 anos, em uma festa. Registros de voos indicam que ela passou muito tempo com Epstein, inclusive em viagens à ilha Little St James. O caso levanta questões sobre o papel de cúmplices em casos de exploração sexual envolvendo figuras de alto perfil.
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