Rodney Taylor, morador de Atlanta, dual amputado, foi liberado no dia 1º de maio do Stewart Detention Center, na Geórgia. Detido desde 15 de fevereiro do ano anterior, foi abordado por agentes de ICE em frente à casa, enquanto seus dois filhos menores assistiam. A liberação ocorreu após meses de pressão pública e jurídica.
A vida da família mudou desde a detenção. A esposa Mildred Danis-Taylor perdeu o emprego e a família perdeu um dos dois carros. O casal participou de eventos públicos para arrecadar recursos e manter o sustento enquanto a situação migratória de Rodney era discutida.
Rodney, de 47 anos, nasceu na Libéria e veio aos EUA com visto médico ainda criança. Apesar de ser microempreendedor com grelhas de cabelo, ele teve a saúde abalada na detenção, com agravamento da pressão alta e surgimento de esporões ósseos na coluna. O advogado dele, Sarah Owings, citou documentos do caso envolvendo uma condenação de furto na adolescência que Georgia lhe perdoou em 2010.
Ao longo do período de cárcere, houve mobilização pública: habeas corpus, protestos, cartas de autoridades estaduais e uma carta de Lucy McBath, deputada federal da Geórgia, apoiando a denúncia sobre as condições na prisão Stewart. A correspondência destacava riscos à saúde de detidos com deficiência, citando reportagens da The Guardian.
A notícia de liberação chegou com tom de alívio, mas também com reconhecimento de custos humanos. Mildred revelou que recebeu ligações de ex-detentos que haviam sido deportados para países como Índia, Nigéria e Indonésia, reforçando o impacto humano da detenção.
No retorno a Loganville, a família encontrou uma árvore de Natal ainda no lar. Rodney descreveu a permanência da memória da prisão, ressaltando que a experiência mudou sua percepção sobre imigração e saúde. Ele afirmou que a detenção teve efeito prolongado sobre a autoestima e a identidade.
Os Taylor cogitam abrir uma barbearia comunitária associada a um centro que promova eventos sobre imigração e saúde. Mildred tem sido chamada a atuar como organizadora e ativista, com sugestões de que ela concorra a cargo público. Rodney demonstrou apoio à ideia, sugerindo que ela comece por um cargo no governo municipal.
A liberação decorreu de pressão conjunta de defensores, familiares, advogados e cobertura da mídia, segundo o próprio advogado Owings. Rodney ainda precisa cumprir visitas mensais à ICE e realizar checagens semanais por aplicativo. O status migratório permanece sem resolução, com recurso pendente diante da board of immigration appeals.
Rodney afirma que, apesar da liberdade, ainda está se adaptando. Comprometido com a participação pública, ele planeja manter-se ativo em debates sobre reformas imigratórias e condições de saúde para detidos, sem abdicar da rotina médica que precisa para calibrar as próteses.
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