O surto de ebola avança no leste do Congo, desafiando as autoridades de saúde. Segundo o Ministério da Saúde, até 21 de maio foram registradas 83 infecções confirmadas, 746 casos suspeitos e 1.603 contatos identificados. A resposta enfrenta obstáculos em meio a conflitos armados e falhas de diagnóstico.
Profissionais de saúde relataram que acompanharam apenas 342 contatos naquele dia, o equivalente a cerca de 21% do total monitorado. A OMS classifica a situação como extremamente complexa, com o surto já alcançando três províncias, incluindo Kivu do Sul, onde houve confirmação de um caso perto de Bukavu.
O foco da resposta está concentrado em áreas de mineração e cidades como Bunia e Goma, com o epicentro inicialmente em Mongbwalu. As autoridades também registram disseminação para Nyankunde, Rwampara e outras áreas sob vigilância reforçada.
Desafios logísticos e vigilância
A vigilância é prejudicada pela geografia e pela violência. Estradas precárias, deslocamentos forçados e controle de áreas por grupos armados dificultam o rastreamento de contatos. A OMS alerta que a capacidade laboratorial está aquém da demanda, com sensores de diagnóstico GeneXpert sem detecção da cepa Bundibugyo.
A disponibilização de reagentes é limitada, o que aumenta a dificuldade de confirmar casos. Além disso, a taxa de positividade do ministério aponta que muitos casos ainda não foram identificados. A OMS recomenda ampliar rapidamente testes, rastreamento e engajamento comunitário, além de estabelecer corredores seguros para socorro.
Contexto regional e respostas
Uganda confirmou mais três casos ligados a infecções anteriores, incluindo um profissional de saúde, elevando as preocupações de transmissão regional. Ruanda intensifica triagens, restringe entradas de estrangeiros e impõe quarentena obrigatória a residentes que retornarem.
O comitê de emergência da OMS descreveu o ambiente como um dos mais desafiadores possíveis. O surto é causado pela cepa Bundibugyo, a qual não tem vacina ou tratamento com anticorpos aprovados. Médicos Sem Fronteiras aponta escassez de kits de PCR específicos.
O governo congolês também informou que a situação de vigilância é frágil, com números que sugerem transmissão ainda subnotificada. A OMS reforça a necessidade de ampliar capacidade de diagnóstico, monitoramento de contatos e proteção das equipes de resposta.
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