A União Europeia rejeitou um pedido do governo brasileiro para incluir um período de transição nas regras sobre antimicrobianos na produção animal. A proposta visava principalmente a cadeia da carne bovina, permitindo que frigoríficos demonstrassem a ausência de antimicrobianos apenas nos meses que antecedem o abate, com um sistema de controle mais completo sendo desenvolvido nos anos seguintes.
Segundo apuração, a UE informou que não aceitará nenhum mecanismo de transição relacionado ao tema. A avaliação interna aponta a pecuária bovina como principal entrave, pela complexidade da cadeia produtiva brasileira e pela rastreabilidade necessária.
Desafios da rastreabilidade na bovino
O sistema europeu exige informações sanitárias verificáveis ao longo de toda a vida do animal. Parte dos frigoríficos já consegue ampliar a rastreabilidade, mas o ritmo é desigual e o volume ainda é baixo.
Para aves, ovos e mel, o cenário é considerado mais administrável pelos técnicos, graças a ciclos produtivos mais curtos e maior controle de cadeia. A diferença acentuada sinaliza o quanto a bovina complica as negociações.
Cronograma e próximos passos
A regulamentação da UE sobre antimicrobianos passou a valer para países exportadores em setembro, com a implementação de regras definidas em 2023. Recentemente, o Brasil foi retirado da lista de países autorizados a exportar certos produtos de origem animal sob uso de antimicrobianos não permitidos pelo bloco.
Havia expectativa de envio de documentos exigidos pela UE até esta segunda-feira, mas a área técnica do governo informou que a documentação ainda está em preparação e deve ser enviada até o fim da semana.
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