Os menores de idade assistem a violência extrema enquanto ficam detidos sem necessidade, aponta a vigilância de Prisões de Inglaterra e País de Gales. O relatório alerta que muitos são mantidos presos antes de audiência ou sentença, mesmo quando poderiam permanecer na comunidade.
Segundo o documento, quase 100 crianças por ano são encaminhadas à custódia apenas para serem liberadas pouco depois ou transferidas para abrigo de autoridades locais. A gravação de casos mostra que jovens presenciam agressões graves, como ataques com facas, em ambientes que não precisam ficar sob guarda.
Entre agosto de 2024 e julho de 2025, 190 crianças foram colocadas em custódia antes de obter fiança. Destas, 91 ficaram sob custódia por até duas semanas e 65 por sete dias ou menos, limitando acesso a educação e apoio.
Contexto e números
Mais da metade das crianças libertadas em menos de uma semana estavam em instituições para jovens infratores, onde a violência é maior do que em prisões de adultos. Em 25 casos, todas as crianças passaram sete dias ou menos sob custódia, sem informações claras sobre o motivo.
O relatório destaca que a maioria das crianças é inoculada por vulnerabilidades como neurodivergência, traumas prévios e experiência em tutela. Um jovem relatou medo e intimidação ao permanecer na instituição, com barulho e questionamentos insistentes pela manhã.
Há uma presunção de fiança para crianças, com a custódia considerada último recurso conforme a legislação de 2012. Em alguns lugares, serviços de justiça juvenil não foram informados sobre a remissão e nem sempre tinham tempo para organizar uma fiança adequada.
Reações e planos
Autoridades reconhecem que a remessa a custódia pode ser evitável. O inspector-chefe das prisões, Charlie Taylor, afirma que duas em cada cinco crianças em custódia estão em regime de remand, e mais da metade não recebe sentença de custódia.
O governo anunciou medidas para reduzir o remand, com foco em alternativas comunitárias e corte de 25% no uso de custódia para menores até o fim deste mandato. O Ministério da Justiça detalhou um aporte de 5 milhões de libras para apoiar alternativas.
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