Para o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, o grupo de potências intermediárias — que vai do Canadá ao Brasil, passando por Austrália e países europeus — deveria frear negociações isoladas de tarifas e evitar compromissos no campo da defesa diante de uma Casa Branca pouco flexível. A ideia é manter a mesa de negociações, não apenas o cardápio, para não ficar fora do tabuleiro.
Carney afirmou que a velha ordem não voltará, defendendo a união de essas potências para atuar em conjunto. O objetivo é evitar que cada país siga interesses isolados diante de grandes potências em disputa, principalmente Estados Unidos e China. O debate ocorre em meio a um cenário global de “multipolaridade” que ganha espaço no debate internacional.
Contexto internacional
A dólares de Estados Unidos continuam influentes na região, pressionando países a alinharem-se à sua esfera de influência. A China, por sua vez, oferece crédito e obras de infraestrutura para consolidar relações estratégicas, inclusive na América Latina e na África. A União Europeia busca manter autonomia econômica sem depender exclusivamente de Washington.
Especialistas veem as potências intermediárias como grupos com recursos naturais relevantes e bases militares estratégicas. O desafio é transformar essas capacidades em um contrapeso eficaz para evitar depender de apenas duas grandes potências no tabuleiro global.
História e perspectivas
A ideia de alianças entre potências de porte médio não é nova. Na Guerra Fria, muitos países buscaram proteção sob o guarda-chuva americano ou soviético, e o conceito de terceira via ganhou força após o fim desse conflito. Hoje, o movimento propõe uma coordenação que supere diferenças culturais e alinhe prioridades.
Analistas ressaltam que a viabilidade depende de articulações profundas e de acordos mínimos entre nações diversas. A construção de uma política comum exigiria tempo, paciência e uma agenda compartilhada que ainda não existe plenamente.
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