O promotor de Justiça Lincoln Gakiya afirmou à CNN que a decisão dos EUA de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas pode impactar a cooperação internacional e a soberania brasileira.
Segundo o especialista em combate ao crime organizado, a classificação desloca o tema da esfera policial para defesa nacional, o que coloca a CIA e as Forças Militares como responsáveis, em vez do FBI ou da DEA, por exemplo.
A mudança pode abrir espaço para operações conduzidas sob lógica de segurança nacional, inclusive ações militares secretas em território brasileiro, com risco potencial para a soberania nacional, segundo a avaliação de Gakiya.
Ele ainda indicou que a troca de informações entre autoridades brasileiras e americanas pode enfrentar novos entraves, já que dados classificados passam a exigir confidencialidade mais rígida.
Gakiya integra o Gaeco, do Ministério Público de São Paulo, e é considerado um dos principais investigadores do PCC. Nos últimos anos, recebeu medidas de proteção devido a planos de ataque atribuídos à facção.
Os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, ampliando instrumentos de sanção e atuação internacional contra os grupos.
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