Um duplo homicídio em Calábria, no sul da Itália, tirou a vida de quatro trabalhadores migrantes transportados em uma van. O veículo foi encontrado incendiado em um posto de combustível, próximo a um vilarejo em uma região de grande atividade agrícola. Policiais identificaram dois nacionais paquistaneses como suspeitos, detidos com base em imagens de câmeras de segurança.
Conforme imagens de CCTV, dois indivíduos bloqueiam as portas da van por fora e lançam líquido para iniciar o fogo. Além das chamas, há relatos de que o veículo foi incendiado intencionalmente durante uma discussão ligada ao pagamento de transporte, segundo apurações da imprensa italiana.
Ao longo dos meses, a região registrou cerca de 14 casos de incêndio envolvendo carros e vans que transportavam paquistaneses, em meio a tensões sobre a divisão do trabalho agrícola e das moradias. Um quinto homem, oriundo do Afeganistão, sobreviveu ao ataque.
Sobrevivente e versão dos fatos
O sobrevivente afegão disse ter escapado ao incêndio ao quebrar uma janela. Ele afirmou que os trabalhadores tinham sido contratados para colheita de morango e que houve cobrança de dinheiro pela transferência, o que foi recusado. Segundo ele, os trabalhadores não receberam pagamento pelo trabalho, mas receberam alimentação e hospedagem.
Reações oficiais e contexto
O presidente regional da Calábria, Roberto Occhiuto, declarou que o caso abala a confiança na humanidade, chamando-o de inumano. A CGIL, por meio da Ansa, pediu medidas para enfrentar abusos contra trabalhadores, muitos deles migrantes, no campo italiano. As investigações continuam para esclarecer motivação e autoria.
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