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Crianças de Gaza enfrentam sofrimento silencioso após perda de fala

Trauma em Gaza leva crianças a perder a fala; especialistas observam danos cerebrais e ressaltam necessidade de espaços seguros e terapia.

Katrin Glatz Brubakk faz bolhas de sabão com Maria, de 3 anos, no Hospital Nasser, no sul de Gaza. "Eu as chamo de bolhas de esperança porque elas literalmente geram esperança nessas crianças."
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A psicoterapeuta Katrin Glatz Brubakk, da organização MSF, atua em Gaza para atender crianças que sofreram traumas severos e podem ter danos cerebrais permanentes. Entre os casos, destaca-se a dificuldade de algumas crianças em falar após experiências de violência, destruição e medo.

Adam, antes uma criança ativa e comunicativa, deixou de interagir aos 5 anos devido ao impacto da guerra. Brubakk relata que esse tipo de reação é comum em Gaza, onde a violência persistente leva ao silenciamento de muitas crianças.

A situação envolve muitos jovens em Gaza. Profissionais locais indiquem que o número de crianças que param de se comunicar tem aumentado, conforme relatos de residentes e de organizações humanitárias.

O que a terapeuta observa

Brubakk descreve que o trauma constante eleva o nível de estresse e pode alterar estruturas do cérebro, como a amígdala e o córtex pré-frontal, comprometendo linguagem, memória e pensamento. O silêncio não é escolha, mas resposta neural ao ambiente.

Casos tratados na prática

Entre os casos, além de Adam, há meninas e meninos que entram sem respostas ao mundo externo. Em quase todos, a recuperação ocorre aos poucos, com rotinas seguras, retorno à escola e momentos de brincar que ajudam a expressar emoções.

O papel da brincadeira

A terapeuta usa técnicas lúdicas para aproximar as crianças do próprio sentir. Bolhas de sabão são chamadas de “bolhas de esperança” e ajudam a acalmar o sistema nervoso, facilitar a comunicação e estimular a fala. Brincar permite externalizar o trauma sem expor a criança a confrontos diretos.

Contexto humanitário em Gaza

Mesmo após o cessar-fogo, ataques continuam de forma rotineira e a violência persiste. O número de mortes em Gaza pelo conflito é superior a 846 segundo dados locais, com dezenas de milhares de feridos, e muitos civis entre as vítimas. O acesso de organizações de ajuda tem sido restringido.

Sobre o estado de saúde infantil

Casos de queimaduras graves são comuns entre crianças de 4 a 6 anos que vivem em áreas de conflito. O tratamento médico é complexo, envolve cirurgia, curativos sob anestesia e longos períodos de recuperação, agravados pela escassez de alimento e condições de abrigo instáveis.

Desafios da assistência

A assistência médica é dificultada pela suspensão de entrada de equipes internacionais em Gaza desde janeiro. Com equipes locais, a MSF continua atendendo, mas a continuidade dos trabalhos depende de melhoria no acesso e segurança para quem está na linha de frente.

Perspectivas de longo prazo

Brubakk enfatiza que, sem um ambiente estável e seguro, o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças fica comprometido. O objetivo é oferecer espaços seguros, educação regular e oportunidades de brincar para reduzir impactos crônicos.

Sobre a motivação da profissional

A médica relata que a experiência pessoal com traumas familiares impulsiona seu trabalho. Ela busca impedir a repetição de violências graves contra crianças, promovendo cuidado, proteção e perspectivas de futuro.

Fonte e contexto

A reportagem reuniu relatos de Brubakk à BBC Mundo, com informações da MSF e de autoridades locais. As informações destacam a necessidade de ações humanitárias contínuas para proteger a infância em Gaza.

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