O conflito entre a Ucrânia e as áreas ocupadas pela Rússia intensificou a crise de combustível na Crimeia, uma península anexada pela Rússia em 2014. A campanha de ataques com drones de Kiev vem atingindo rotas logísticas e refinarias, agravando a escassez de combustível e o custo de vida na região.
A Ucrânia afirma que realizou centenas de ataques com drones desde o início de maio, concentrando-se em caminhões e tanques de combustível. A ofensiva recente inclui danos a uma rodovia e a uma ponte que ligam Rostov, no sul da Rússia, à Crimeia via Mariupol, prejudicando o abastecimento.
A Crimeia enfrenta filas longas em postos de combustível, com relatos de espera de até 10 horas. Em muitos postos, o abastecimento está limitado a cerca de 20 litros por pessoa, com o uso de vouchers. Turistas russos que chegaram antes da crise também buscam formas de sair da região.
Autoridades sob controle de Moscou reconhecem dificuldades em satisfazer a demanda. O chefe da administração regional, nomeado por Moscou, admitiu que é voltada a reduzir o fluxo de combustível para atender a necessidade civil, enquanto dezenas de ônibus permanecem parados por falta de combustível.
As vias terrestres permanecem como principal rota de abastecimento para a Crimeia, já que as rotas marítimas estão sob maior risco devido a ataques e a danos a embarcações. A ponte de Kerch, conectando a Crimeia ao continente, também tem passado por restrições de tráfego após ataques anteriores.
Analistas questionam o efeito dos ataques na capacidade militar russa. Segundo fontes especializadas, as interrupções atingem não apenas o abastecimento de civis, mas também a logística das tropas no sul, dificultando operações próximas à Crimeia.
Na região de Chohnar, no norte da Crimeia, houve um ataque recente a uma ponte ligada à rede viária R-280, interrompendo o tráfego de veículos civis e militares. A estrada continua sob pressão, com registros de suspensão de tráfego.
A intensidade da campanha de drones é acompanhada por ataques a refinarias e depósitos de petróleo na Rússia, reduzindo a capacidade de refino declarada por autoridades ucranianas. O presidente ucraniano afirmou que parte significativa da capacidade de refino foi desativada em maio devido a esses ataques.
Especialistas apontam que a estratégia de atingir redes de distribuição locais em vez de grandes refinarias pode ter efeitos mais diretos sobre a população e sobre a logística militar em regiões como a Crimeia, aumentando a vulnerabilidade de transportes e abastecimento.
Em território ocupado, comunidades, como Luhansk e Kherson, também registram impactos semelhantes, com operações de drones descritas como prioritárias para desativar estoques de combustível da Rússia e reduzir a capacidade militar.
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