A Argentina avança com a privatização de hotéis de turismo social, iniciando a transferência de complexos estatais para o setor privado. A medida enfraquece o modelo de turismo popular criado na era Perón, que oferecia hospedagem de cerca de US$ 10 por diária a trabalhadores. A decisão partiu do governo do presidente Javier Milei.
Em março de 2026, o governo abriu licitação para concessão por 30 anos do complexo de Chapadmalal, próximo a Mar del Plata. O terreno tem restrições legais que impedem a venda completa. Um segundo conjunto, com sete hotéis na região de Córdoba, será vendido na totalidade.
A mudança ocorreu após Milei ter eliminado, em 2025, a obrigação de turismo subsidiado pelo Estado, justificada pela prioridade ao livre mercado e à redução do tamanho da máquina pública. O orçamento da atividade somou cerca de US$ 7 milhões em 2024.
Reação e desdobramentos
Instalado na assinatura da licitação, o tema gerou críticas de sindicatos e da oposição. Em maio de 2026, o governo demitiu 50 funcionários remanescentes de Chapadmalal, provocando protestos e ações judiciais.
O governador de Buenos Aires, Axel Kicillof, aliado oposicionista, pediu autorização para assumir a gestão dos hotéis em âmbito provincial. O pedido não obteve resposta até o momento.
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