O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, promulgou uma lei que autoriza decretar estado de exceção para conter manifestações que paralisam cidades. Ele afirma que protestos foram impulsionados por narcoterroristas e que os dias deles estão contados. O anúncio ocorreu após o Congresso aprovar a norma.
Em La Paz, sede do governo, e em El Alto, dezenas de bloqueios de estradas seguem há cinco semanas, pressionando o governo de direita. As obras e serviços básicos enfrentam interrupções, elevando o custo de alimentos e afetando hospitais.
A norma permite o uso de militares para desbloquear vias e restringe liberdades de reunião e circulação. Paz esteve no palácio do governo, onde anunciou a promulgação ao lado de ministros, militares e altos oficiais de polícia.
A mão criminosa
O governo acusa facções ligadas ao tráfico de drogas de financiar e organizar os bloqueios, enquadrando-os como narcoterrorismo. Segundo Paz, a segurança do país estaria em risco diante dessas ações. Evo Morales nega envolvimento e criticou o governo.
Morales, que está foragido em relação a um caso de tráfico envolvendo menor, classificou as ações como rebelião contra uma gestão que considera aliada a potências estrangeiras. O governo sustenta que o objetivo é restabelecer a ordem democrática.
Impactos na vida cotidiana
Os preços de carnes e vegetais dobraram em mercados de La Paz e El Alto, com longas filas em postos de gasolina. Em hospitais, houve desabastecimento de medicamentos. Comerciantes locais relatam prejuízos e dificultam a população o acesso a itens básicos.
A crise econômica, que já era complexa desde 2023, se agravou após a eliminação de subsídios a combustíveis anunciada pelo governo anterior. O país enfrenta escassez de dólares e dificuldades de abastecimento, complicando a crise social vigente.
Contexto e desdobramentos
Manifestantes, incluindo operários, camponeses, caminhoneiros e professores, defendem o fim dos bloqueios e a retomada de atividades. A oposição aponta falta de resultados para conter a crise econômica e a pobreza associada. A situação eleva a tensão política no país.
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