Abdullah Ibhais, ex-gerente de mídia da Supreme Committee for Delivery & Legacy, afirma ter sido preso por denunciar condições de trabalhadores na Copa do Mundo de 2022 no Qatar. O caso resultou em uma pena de três anos e meio de prisão. Ibhais relata ter sido pressionado a distorcer informações sobre as greves. A denúncia também aponta irregularidades no processo.
Segundo Ibhais, trabalhadores migrantes em Al-Shahaniyah, nas proximidades de Doha, sofriam com salários atrasados, fome e falta de água. Ele descreve que as obras da Copa beneficiavam grandes clubes e seleções, mas com custo humano elevado para os operários.
Em 2017-2021, Ibhais afirma ter recebido ordens de órgãos oficiais para apresentar uma narrativa favorável à organização, minimizando denúncias de violação de direitos. O detido alega ter sido acusado de corrupção e de violar segredos de defesa, após se recusar a silenciar informações sobre o trabalho humano.
Contexto internacional e desdobramentos
Ibhais foi detido no Qatar e, segundo ele, teve a sentença proferida sem julgamento justo. O Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Detention informou em 2024 que a detenção foi arbitrária e o julgamento inadequado. A FIFA, segundo o relato, não interveio no caso, mantendo posição de não comentar a prisão.
Recentemente, Ibhais teve o passaporte apreendido ao tentar viajar para se apresentar em eventos globais. Seguiu-se uma instrução de autoridades jordanianas para interromper manifestações públicas sobre o tema. O caso ocorre em meio a críticas sobre as condições de trabalho envolvendo a organização da Copa de 2022.
Ibhais sustenta que não é figura política nem pessoa influente; afirma apenas ter coragem de expor realidades de trabalhadores migrantes. A reportagem não pode confirmar todas as alegações sem novas fontes oficiais, mas aponta que o tema envolve direitos trabalhistas, transparência e a responsabilidade de organismos internacionais.
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