Dois a três dos congressistas de direita apresentaram no Chile uma proposta para a criação de um museu da verdade. O objetivo é narrar os anos que antecederam o governo de Salvador Allende sob a ótica do que chamam de vítimas do regime socialista. A iniciativa partiu do grupo Nacional Libertarian.
O projeto foi apresentado por Johannes Kaiser, líder do partido. Kaiser é uma figura de destaque da extrema direita no cenário político chileno. Ele alcançou 13,9% da votação no primeiro turno de uma eleição presidencial recente, segundo a oposição.
Os autores defendem que o museu preservaria memória histórica completa e sem viés. O texto também propõe coletar depoimentos e fotografias da época de Allende para evidenciar supostas vítimas de reformas econômicas.
Contexto político e tramitação
O pedido é direcionado ao presidente José Antonio Kast, que assumiu o cargo em março, ampliando a presença de figuras conservadoras no Palácio de La Moneda. Kast já foi visto como defensor de legados da ditadura de Pinochet.
A proposta será levada a voto na Câmara nos próximos dias. O formato não é vinculante, mas poderá resultar em uma petição para a criação do museu.
Dados históricos indicam que Pinochet governou até 1990, após um golpe em 1973 com apoio da CIA. Pesquisas recentes mostram apoio moderado à memória do regime entre parte da população, o que alimenta o debate.
Há, hoje, no Chile, um museu de direitos humanos em Santiago que registra as vítimas do regime de Pinochet, servindo como referência para a memória histórica do período.
A iniciativa gera reação na sociedade, com críticas à falta de reconhecimento de responsabilidades de outros atores da época e ao papel de organizações estrangeiras na conjuntura política do Chile.
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