A Polícia Federal identificou uma mudança na estratégia do narcotráfico brasileiro para exportar cocaína à Europa e à África. O uso de contêineres em portos caiu, enquanto rotas marítimas alternativas passaram a ganhar espaço, com embarcações pesqueiras, veleiros e semissubmersíveis.
Dados da PF, que incorporam informações de várias instituições, mostram 15,6 toneladas de cocaína apreendidas em portos brasileiros em 2025, queda de 76,6% em relação ao pico de 2019, quando houve 66,8 toneladas.
A redução nas apreensões em contêineres não significa menor fluxo de droga, dizem autoridades ouvidas pela Folha. A tendência aponta para mudanças táticas adotadas por organizações criminosas.
Mudança de estratégias
Observa-se diminuição de cocaína escondida em cargas lícitas e também de operações rip-on/rip-off, em que a droga é inserida após inspeção e retirada no destino sem o conhecimento do exportador ou importador.
Em 2024, a Marinha da França apreendeu seis toneladas de cocaína em uma embarcação de bandeira brasileira, em águas internacionais próximas à África, resultado de cooperação entre PF e agências estrangeiras.
Somente em 2025, sete operações conjuntas com autoridades internacionais resultaram em apreensões em rotas para Portugal e França, segundo a PF e a Receita Federal.
Fatores e rotas
Especialistas apontam que reforços portuários no Brasil ajudam a reduzir as apreensões em contêineres, com inspeções por scanners, videomonitoramento, controle de acesso e melhoria de gestão de risco.
A cocaína continua sendo a principal droga exportada pelo Brasil para o exterior, representando cerca de 80% das apreensões de drogas voltadas ao exterior, segundo a Receita Federal.
A PF observa maior uso de portos em países como Colômbia, Equador e Peru para envio a Europa, por estarem mais próximos de áreas produtoras e oferecerem vantagens logísticas.
Aspectos operacionais
Grupos de grandes traficantes, conhecidos como brokers, controlam a compra, armazenamento e transporte. No Brasil, facções locais apoiam logística, proteção e distribuição, especialmente em rotas e áreas portuárias sob seus dominós.
O PCC e o Comando Vermelho atuam em diferentes estados, dominando regiões estratégicas do país para operações de escoamento de drogas. A presença das facções varia por estado, com maior concentração em 13 unidades da federação.
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