Cerca de 16 mil vítimas chinesas de uma fraude bilionária iniciaram processo para recuperar parte dos cerca de 60 mil bitcoins apreendidos pelas autoridades do Reino Unido. O valor atual dos ativos é estimado em US$ 3,8 bilhões. A informação foi apresentada em audiência realizada na sexta-feira, dia 5 de junho de 2026, no Tribunal Superior do Reino Unido.
As vítimas participam do processo aberto sob a Lei de Produtos do Crime, que permite solicitar a propriedade dos bens confiscados. O registro encerrou em 22 de maio, deixando habilitados cerca de 16 mil requerentes. O total de vítimas do esquema ainda pode variar com a eliminação de registros duplicados.
Contexto do caso e próximos passos
Os requerentes representam menos de 13% das cerca de 128 mil pessoas envolvidas no esquema da empresa chinesa Tianjin Lantian Gerui Electronic Technology Co. Ltd. A contagem final pode mudar conforme a remoção de duplicidades. Uma audiência em julho decidirá qual lei será aplicada às reivindicações: chinesa ou inglesa.
A definição terá impacto sobre o tratamento dos investidores. Virá como credores sem garantia ou como proprietários de parte dos bitcoins, cuja valorização desde a apreensão tem sido significativa. O caso equilibra questões transnacionais de direito penal e de propriedade.
Origem e desdobramentos legais
O golpe ocorreu entre 2014 e 2017, liderado por Qian Zhimin por meio da Lantian Gerui. A empresa captou mais de US$ 5,9 bilhões de quase 130 mil investidores antes de entrar em colapso. Em 2025, Qian foi condenado no Reino Unido a 11 anos e 8 meses de prisão por uma operação de lavagem de dinheiro com bitcoins.
O desfecho das reivindicações pode estabelecer jurisprudência sobre a aplicação de leis estrangeiras a ativos apreendidos. A decisão também influenciará o tratamento de outros ativos virtuais em investigações internacionais envolvendo fraude de grande escala.
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