Dois bebês morreram após contrair ebola em um orfanato de Bunia, no leste da República Democrática do Congo, enquanto o país enfrenta um novo surto da doença. O anúncio foi feito com base em dados do governo e de organizações internacionais; ainda não há confirmação sobre cadeia de transmissão dentro do abrigo.
A morte da primeira bebê, chamada Buswaza, ocorreu após a criança ser levada ao orfanato no fim de maio, vindo de uma família falecida. Ela desenvolveu febre alguns dias após a chegada e morreu pouco depois, com diagnóstico posterior de ebola. Outros seis bebês do local apresentaram suspeita, mas cinco deram negativo em exames subsequentes.
Situação do surto e impacto infantil
Dados preliminares do Unicef indicam que crianças representam cerca de 17% dos casos confirmados. A região de Ituri registra desafios de testagem e de contenção, agravados por conflitos armados que afetam acesso a serviços de saúde e vacinação.
Cherie, uma órfã trigêmea, teve diagnóstico confirmado após os primeiros casos suspeitos e morreu dias depois. Especialistas destacam que indivíduos muito jovens têm maior risco de evolução grave, mesmo representando parcela menor dos infectados.
Variante Bundibugyo e diagnóstico
A Organização Mundial da Saúde aponta scant de dados sobre a variante Bundibugyo, responsável pelo surto atual, especialmente quanto aos efeitos em crianças. A capacidade de diagnóstico regional aumentou, com resultados no mesmo dia em laboratórios locais, segundo o INRB.
Desafios humanitários e resposta local
A região atravessa desnutrição infantil elevada e cobertura vacinal irregular. Pesquisa de 2023 mostrou taxa de desnutrição crônica de 52,1% entre crianças menores de 5 anos. A OMS confirma transmissão potencial pelo líquido amniótico, placenta e leite materno.
Cuidadoras do orfanato, inclusive uma freira, foram diagnosticadas com ebola. Organizações humanitárias mantêm monitoramento diário no local, com equipes visitando o abrigo para acompanhar crianças e funcionários expostos ao vírus.
Ações e observações de especialistas
Profissionais ressaltam que o contexto de fragilidade aumenta o risco de pior evolução clínica. A colaboração com a comunidade é destacada como desafio essencial para interromper a transmissão, especialmente em áreas com deslocamentos e acesso limitado à saúde.
Três laboratórios congoleses interromperam atividades temporariamente por falta de reagentes, o que impacta a capacidade de diagnóstico. As unidades de Bukavu, Lwiro e Goma aguardam reposição para retomar os testes acumulados.
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