Tren de Aragua, facção venezuelana, ampliou atuação no Norte do Brasil. Em Roraima, investigações indicam expansão para ao menos quatro municípios, com ligações a redes brasileiras. O grupo, identificado como perigoso, atua em diversas frentes criminosas, incluindo tráfico e sequestrou familiares de testemunhas.
No início de 2025, a polícia de Roraima encontrou um cemitério clandestino em Boa Vista, com nove corpos, em sua maioria venezuelanos. A perícia aponta homicídios cometidos por diferentes criminosos, enquanto uma testemunha-olheira afirma ter sido perseguida pela facção.
Origens e expansão regional
Fundada originalmente em Tocorón, prisão no centro-norte da Venezuela, a organização também atua na Colômbia, Bolívia, Peru e Chile. Em 2024, o grupo passou a constar entre as ameaças classificadas como terroristas pelo Departamento de Estado dos EUA, junto a PCC e CV.
Segundo autoridades, o Tren de Aragua movimenta-se por meio de redes de contrabando, tráfico de drogas, exploração de migrantes e extorsão. Nos Estados Unidos, dança com acusações de vínculos com o governo de Nicolás Maduro, alvo de processos por narcoterrorismo e drogas.
Impactos locais e operações no Brasil
Em Roraima, o grupo consolidou células principalmente em Boa Vista, Pacaraima, Mucajaí e Rorainópolis. O tráfico de drogas, armas e o controle de serviços de prostituição aparecem entre as atividades locais. Investigadores destacam a circulação de cocaína vinda da Colômbia.
Especialistas apontam que a facção infiltra-se entre imigrantes venezuelanos, explorando vulnerabilidades. Em Roraima, há relatos de recrutamento, extorsão e violência ligada aos abrigos destinados a refugiados, com casos de abuso e exploração reportados.
Perspectivas e números
Dados de 2024 indicam 174 homicídios em Roraima, segundo fontes oficiais. Ainda assim, a região apresentou queda nas taxas de violência entre 2021 e 2024. Governador do estado defende maior fiscalização de fronteira e regras mais rígidas de entrada de estrangeiros.
Autoridades ressaltam que o Treno de Aragua não atua isoladamente: a relação com outras facções brasileiras e redes de contrabando humano já é objeto de investigações. A complexidade da infiltração exige resposta integrada entre segurança pública e políticas migratórias.
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