No início de 2025, a polícia de Roraima encontrou um cemitério clandestino na mata de Boa Vista, com ao menos nove corpos, a maioria venezuelanos. A testemunha que levou as autoridades ao local atuava como olheiro do Tren de Aragua (TDA) e afirmou estar sendo perseguida pela facção, que também teria sequestrado sua família.
A atuação do TDA já foi identificada em ao menos quatro municípios de Roraima. Origem da organização está ligada a uma prisão na Venezuela e ela atua em diversos países sul-americanos. Nos Estados Unidos, o grupo passou a ser classificado como organização terrorista estrangeira, junto a outras facções brasileiras.
A fronteira e o garimpo
Pacaraima funciona como porta de entrada e saída entre Brasil e Venezuela, com rotas clandestinas conhecidas como trochas. Armas desviadas de autoridades venezuelanas chegam com frequência a áreas de garimpo, segundo a polícia.
Especialistas apontam que a mineração ilegal financia grande parte das ações do TDA no Brasil. Em Las Claritas, na Venezuela, o grupo controla depósitos de ouro há mais de uma década, fortalecendo ligações com organizações brasileiras, como PCC e CV.
Impacto local e humanitário
Roraima abriga as células mais ativas do TDA no país, com envolvimento em tráfico de drogas, extorsão e exploração de migrantes. Há relatos de recrutamento de venezuelanas para trabalho sexual em garimpos, além de abusos em abrigos destinados a refugiados.
A imprensa local aponta que ações do TDA também incluem violência contra rivais e membros da própria facção, com corpos encontrados em áreas de mata ou terrenos baldios de Boa Vista. As investigações ressaltam a ligação entre o tráfico de armas, a mineração e o contrabando entre os dois países.
Entre na conversa da comunidade