A Procuradoria-Geral de Malawi pediu à Anti-Corruption Bureau (ACB) que retire as acusações de suborno contra o condenado por tráfico ilegal de vida selvagem Lin Yunhua. A medida abriria caminho para a libertação de Lin, já beneficiado por um perdão presidencial.
Lin Yunhua é cidadão chinês que recebeu uma pena de 14 anos em 2021 por comércio ilegal de partes de animais silvestres, como marfim, chifres de rinoceronte e escamas de pangolim. Em 2019, autoridades malawianas prenderam Lin, sua esposa e 13 integrantes de uma rede criminosa transnacional.
Embora tenha obtido o perdão presidencial em julho de 2025, Lin permaneceu na prisão para responder às acusações de suborno a um oficial de prisão e a um juiz, supostamente cometidas durante o julgamento pelo tráfico de vida silvestre.
O diretor de prosecuções públicas (DPP), Fostino Maele, ordenou à ACB que retire as acusações de suborno. O DPP já atuava como advogado de Lin anteriormente, o que gerou questionamentos sobre conflito de interesses por parte de ativistas ambientais e anticorrupção.
À época da reportagem, Maele não havia respondido a pedidos de esclarecimento sobre os motivos do afastamento e sobre o possível conflito de interesses.
Um ambientalista apontou contradição entre alianças estratégicas contra traficantes e decisões que afastam casos envolvendo criminosos ambientais. A atuação da ACB ocorreu após o início do processo de corrupção, em 13 de maio, com dois funcionários prisionais como testemunhas da acusação.
O chefe jurídico da ACB, Peter Sambani, indicou que o DPP encaminhou, em 19 de maio, a instrução para a retirada do caso. A ACB protocolou o pedido de descontinuação no High Court de Lilongué em 9 de junho.
Conforme a Constituição de Malawi, apesar de o DPP deter a competência para descontinuar casos, ele deve apresentar justificativas à Parliament dentro de 10 dias.
Organizações da sociedade civil ambiental e anticorrupção divulgaram uma petição online afirmando que a descontinuação poderia colocar em xeque o compromisso do país no combate à corrupção e ao crime organizado contra a vida silvestre.
O executivo da Coordination Union for Rehabilitation of the Environment (CURE), que atua em Malawi, afirmou que o perdão presidencial do ano anterior já minou o trabalho de autoridades que prenderam Lin. O comentário reforçou a ideia de rever a aplicação de leis que permitem a libertação de infratores de alto perfil.
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